terça-feira, 6 de abril de 2010

A Verdade dos Factos e dos Números

Um destes dias dei comigo a pensar sobre uma frase lida num blogue. Afirmava-se nela, que Artur Melo tinha obtido o pior resultado ou quase, de sempre para o PS em eleições autárquicas no Marco de Canaveses. Fui consultar os dados eleitorais das últimas campanhas e constatei o seguinte:

2001 (Nuno Lameiras)
- CDS 52,0% (4 vereadores)
- PS 23,5% (2 vereadores)
- PSD 18,0% (1 vereador)
- PCP 3,0%
Assembleia Municipal
- CDS 47,9% (16 deputados)
- PS 26,2% (9 deputados)
- PSD 18,8% (6 deputados)
- PCP 3,4% (1 deputado)

2005 (Luís Almeida)
- PSD 46,4% (4 vereadores)
- CDS 30,2% (2 vereadores)
- PS 17,8% (1 vereador)
- PCP 3,0%
Assembleia Municipal:
- PSD 43,7% (15 deputados)
- CDS 29,3% (10 deputados)
- PS 19,9% (6 deputados)
- PCP 4,2% (1 deputado)

Regista-se uma baixa na percentagem de votos do PS de 5,7%, com a perda de 1 vereador. E uma baixa na AM de 6,3%, com a perda de 3 deputados (33% do total de 2001). Quer na candidatura de 2001 e de 2005, os candidatos defrontaram-se apenas com 3 adversários políticos. Pelo que os resultados de 2005 comparados aos de 2001 foram catastróficos.

2009 (Artur Melo)
- PSD 43,11% (4 vereadores)
- Mov.F.Torres 29,7% (2 vereadores)
- PS 12,94% (1 vereador)
- Mov.N.Soares 10,46%
- PCP 1,77%
Assembleia Municipal
- PSD 41,02% (14 deputados)
- Mov.F.Torres 27,31% (9 deputados)
- PS 15,53% (5 deputados)
- Mov.N.Soares 10.56% (3 deputados)
- PCP 3,22% (1 deputado)

Regista-se uma baixa na percentagem de votos do PS de 4,86%, mas mantendo 1 vereador. E uma baixa na AM de 4,37%, com a perda de 1 deputado. Neste acto eleitoral o PS defrontou não 3 adversários políticos, mas 4, sendo que um deles era o presidente em funções, outro era o senhor feudal do Marco e o terror anunciado, outro era um ex-vereador que foi durante cerca de 2 anos presidente substituto com funções executivas e fortemente apoiado na sua candidatura por filiados socialistas e membros da Comissão Concelhia do PS, dissidentes em desacordo com a nomeação de Artur Melo e a sua candidatura e ainda o candidato do PCP.

Posto isto e por comparação com actos anteriores que decorreram sem campanhas tenebrosas, internas, no PS, dirigidas contra os candidatos do PS, por muito que doa aceitar aos detractores de Artur Melo, os resultados, dadas as circunstâncias já referidas, forte militância de membros da concelhia socialista e filiados do PS, a favor do Movimento Marco de Verdade de Norberto Soares e candidatura do Movimento Marco Confiante Ferreira Torres, cuja legalidade Só Artur Melo decidiu contestar, mas que todos desejavam ver afastada da corrida eleitoral, acabaram por ser superiores ao que se poderia esperar.

Dá-se ainda o caso dos detractores de Artur Melo e críticos dos resultados obtidos pelo PS em 2009, por manifesta má fé intelectual, escamotearem da sua argumentação o principal facto que contribuiu para a perda de votos, a manutenção na corrida eleitoral do candidato Ferreira Torres. Até Manuel Moreira, foi mais honesto intelectualmente, que aqueles pseudo-socialistas de cartão e emblema, agradecendo no seu discurso de vitória os votos daqueles e foram muitos, que lhe deram o seu voto útil, evitando que sobre o nosso Marco desabasse nova catástrofe. Tal não chegou a acontecer, felizmente, apesar dos esforços duns tantos que se dizem socialistas, mas que acabaram a trabalhar em prol de Ferreira Torres e Manuel Moreira, numa candidatura condenada ao insucesso, com prejuízo do candidato do seu (?) partido.

O texto foi enviado por um leitor que preferiu manter o anonimato.

domingo, 4 de abril de 2010

Crime Ecológico

Hoje o Público denuncia aqui que uma empresa com licença de gestão ambiental deitou 10 toneladas de lixo em serras. Este lixo constituído por sobras de esponjas sintéticas foi entregue a uma empresa de gestão para resíduos não urbanos (mais uma), que foi declarada insolvente em Fevereiro. As empresas a montante, nomeadamente uma empresa de São João da Madeira fica deste modo “limpa” de qualquer responsabilidade. O mais escandaloso é que “esta descarga deve ter sido feita há cerca de dez dias. Dá a entender que as pessoas se aproveitaram da campanha para se livrarem do lixo”. A empresa foi identificada como A Transportes Pelarguinense, e a sócia chama-se Adelaide Oliveira.

Se a legislação não for realizada com cuidado permite que com intenção ou não um carrossel de empresas passem sucessivamente a responsabilidade de uma obrigação até que uma por azar vai à falência e aí já não existe ninguém para responsabilizar.

Na minha opinião, a responsabilidade não pode morrer solteira. E mais não digo.

Onde é que estavas no 25 de Abril?

Recordo-me perfeitamente de acordar com o meu pai todo excitado a receber notícias do meu tio Manuel que era estudante de economia em Lisboa. Mesmo antes nos explicar o que se passava eu percebi que aqueles acontecimentos tinham a ver com as conversas que eu tinha assistido entre alguns dos militares que tinha conhecido em Moçambique, as conversas do meu tio que na altura era Capitão do exército, do meu tio que era estudante em Lisboa, as demissões de António de Spínola e Costa Gomes e vinha na sequência do golpe falhado de umas semanas antes.

A primeira parte do dia foi passado em tentar perceber melhor o que que se passava e era uma corrida entre a televisão e a rádio que pouco informavam, a “Vila” e a Escola Secundária. Encontrava-se muito menos gente nas ruas do que habitual, mas ficou-me a imagem de uma “personagem” que a meio da tarde ainda defendia que o governo iria por tudo na ordem, como no dia 16 de Março em que a tentativa de golpe falhou. Recordo que Marcelo Caetano só se rendeu às 19:30 no Quartel do Carmo.

Fiquei todo entusiasmado quando me apercebi que Spínola estava com os revoltosos, pois tinha lido o seu livro “Portugal e o Futuro” a meias com o meu pai e naqueles tempos era para mim um símbolo de esperança.

A mágoa que me fica desse dia é de não ter sentido o entusiasmo do povo pela libertação após tantos anos de opressão como se viu em Lisboa ou no Porto, ou mesmo em Penafiel.

PS: A fotografia é do dia 25 de Abril de 1974 em Penafiel

sábado, 3 de abril de 2010

O Algodão Não Engana



Para quem não gosta de cópias, enviado por um leitor atento.

Coligação Negativa II

Confidenciou-me quem assistiu à apresentação da candidatura do Rolando Pimenta que o ambiente era tudo menos de unidade, primeiro porque um dos oradores atacou José Sócrates, o que não caiu bem em alguns dos militantes marcoenses que estavam a assistir à apresentação.

Recordo que este não é o primeiro incidente do género, pois os apelos para um apoio imediato e declarado a um candidato à Presidência da República já tinham criado constrangimentos em alguns dos militantes locais.

Mas a maior reação da noite foi em resposta a mais um ataque a Artur Melo. Este ataque não se percebe pois é “antagónico” à posição oficial desta candidatura de “os representantes autárquicos eleitos pelas listas do PS, contarão com o apoio e solidariedade total da equipa que o rodeia”, ainda que esteja na linha da Campanha Negra realizada pelos elementos que constituem esta candidatura.

Outra declaração surpresa foi a a declarada demissão de Rolando Pimenta do seu cargo na Dolmen para não se sentir constrangido por Manuel Moreira. Não se percebeu é se esta vai ser realizada de imediato ou só se este ganhar a Presidência da CPC.

Tirando estas situações foi uma noite calma e sem grandes emoções.

“É que unidade é um conceito antagónico de unicidade!”

Ainda sobre este texto fiquei perplexo com a sua frase final, pois sinceramente não a percebi. Por isso fiz uma pesquisa nos dicionários on-line para procurar definições das principais palavras para tentar dar um sentido à frase. Algumas das definições que encontrei são:

Unidade (carácter do que é uno, do que forma um todo orgânico);

Unicidade (qualidade do que é único)

Antagónico (contrário, oposto)

Se alguém me ajudar a explicar o que o autor da frase pretendia transmitir agradecia.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Personagens

O Jorge fala em baixo de uma personagem daquelas que tornavam o PS um partido pouco apetecível dentro da sociedade marcoense. Digo "tornavam", porque só alguns barões e descendentes não notam que o PS já não é o partido feudal e dominado por interesses que era. Só quem anda distraído não sabe que quem está nesta outra cinzenta candidatura esteve ligado ao apoio à decisão da distrital de querer o ex-numero 2 de Ferreira Torres como candidato do PS em 2009. Ainda há pouco esta personagem reiterou que é um grande apoiante de Renato Sampaio.
Neste texto a que o Jorge se refere mais uma vez fica claro que aquilo é uma candidatura da "elite", do PS das famílias nobres, dos "barões" e que do lado de Artur Melo estão os militantes. Até porque os militantes de base que aparecem nas fotos da apresentação se calhar só lá estavam para ver... Porque o coração deles está no lado certo...
Mas é melhor não me adiantar mais.

Coligação Negativa I

Num post recentemente colocado na Blogsfera tenta-se dar pouca importância às bases de um partido.

Coloca-se a tónica na presença, às vezes institucional, de “anteriores lideres”, “militantes mais antigos” e “fundadores” na apresentação da candidatura de Rolando Pimenta. Tratando-se do Partido Socialista, que é um partido marcadamente Republicano, parece-me mal politicamente fazer-se a apologia da importância de uma certa classe de "barões". E mais não digo, pois considero este discurso é uma reacção ao facto de no dia anterior se terem reunido um grupo mais numeroso de militantes Marcoenses como Nós só para convencer Artur Melo a encabeçar uma lista que permita a continuidade do projecto que o Partido Socialista vem a concretizar no Marco de Canaveses. A reunião da candidatura entre convidados de concelhos vizinhos, elementos da comissão de honra, pessoas que vieram assistir à reunião, e os elementos da candidatura estariam pouco mais de três dezenas de pessoas. E de facto as fotos não enganam!

Recordo ainda, os mais distraídos, que Artur Melo tinha até sido convidado a pertencer à comissão de honra desta candidatura! Claro que foi no período em que passou a “bestial” pois já não ia concorrer.

No mesmo post é dito que Artur Melo afirmou que esta candidatura “é uma coligação negativa”, é totalmente verdade, mas considero que não é só porque congrega um conjunto de pessoas que sempre boicotaram o projecto do Partido Socialista (nomeadamente o caso do autor do texto e do próprio Rolando Pimenta), mas porque após algumas tentativas as “várias sensibilidades” perceberam que isolados não conseguiam reunir militantes sequer para formar uma lista. O autor do texto sabe isso na primeira pessoa.

Depois esquecem-se pura e simplesmente das suas responsabilidades como eleitos para a anterior CPC.

Artur Melo e muitos dos seus apoiantes foram à luta e poderão não ter tido o resultado que mereceriam. Mas esta candidatura está recheada de apoiantes que abandonaram essa luta e esses sim foram responsáveis directos do partido não ter melhor resultado. Se fossem eleitos que garantias davam que agora seria diferente? Nenhumas.

O fim da Primavera Marcelista

Os fins dos anos sessenta e inícios dos anos setenta passei-os na cidade da Beira. A Primavera Marcelista que tinha criado uma onda de esperança na política de Marcelo Caetano estava a a terminar e um certo conservadorismo regressava lentamente em Portugal Continental. Mas longe e mais influenciados pelos ”beefs” das vizinhas Rodésia e África de Sul o ambiente que se vivia na Beira era bem diferente do que se passava na “Metrópole”.

Apesar da consciência que se estava em guerra, pelo menos mais a Norte, guardo na minha memória muitas boas recordações que me marcaram no modo em que vejo o mundo. Nos bairros da Ponta Gea, Matacuane e de Macuti fiz muitas amizades, dediquei muito tempo ao desporto, principalmente ao basquetebol. Passava horas nas praias. Precorria toda a cidade e bairros circundantes. Apreciava edifícios de uma arquitectura moderna que não encontrava no norte de Portugal. Achava magnificas as avenidas que ligavam os vários bairros da cidade. Apreciava as idas à Gorongosa. Adorava o espaço e o clima, só não suportava os mosquitos. Mas sobretudo sentia no ar uma abertura que não existia no Marco e no Norte de Portugal que era onde até então tinha vivido. Tinha amigos brancos, negros, chineses e indianos. Conheci pessoas muçulmanas, hindus e protestantes. Ouvia frequentemente pessoas a falarem inglês, chinês e obviamente os dialectos locais. Até os meus amigos portugueses da metrópole eram de todo o lado, uns beirões, outros alentejanos, vários lisboetas... Tudo era novo para mim.

Tinha saudades dos amigos e dos locais que tinha deixado para trás, mas quando chegou a hora de retornar o meu pai tinha terminado a sua comissão como médico no exército, senti uma amargura muito grande e um sentimento de perda por uma certa liberdade que só voltei a reencontrar noutra primavera uns anos mais tarde.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Frase do Dia

"A penalização por não participares na política, é acabares por ser governado pelos teus inferiores."
in (Platão), Filósofo e Matemático da Grécia Antiga (428-348 a.c.)

PS: Correctamente esta frase foi proferida há quase 2400 anos, mas mantém-se totalmente actual.