quinta-feira, 10 de junho de 2010

Belos tempos, os tempos do Portugal 100% branco

Foi este o comentário que um saudosista ignorante que também nos brindou com um vídeo de defesa das suas ideias fascistas, e logo no dia 10 de Junho. A fotografia foi retirada desse vídeo e mostra claramente quais as ideologias que ele defende.

Mas vou tentar-lhe explicar alguns factos que ele ignora:

- Portugal naqueles tempos não era 100% branco, nem sequer o regime que tenta defender chegava a essa extremismo ideológico. Primeiro porque por muito ignorante que os seus "grandes líderes" fossem sabiam que Portugal foi sempre um ponto de passagem onde se misturaram culturas diversas e povos de várias origens. E assim existia o risco de ao defender-se a pureza da raça vir a encontrar-se nos antepassados muitos povos de outras origens e mesmo de credos religiosos ,como muçulmanos ou judeus. Deve estar a confundir-se com outra bandeira de uma ideologia propagandeada por um louco que colocou a Europa a ferro e fogo, e que tentou assassinar não só todos os judeus, mas todos aqueles que não eram "arianos". E ai chegaria também a nossa vez pois para esses "arianos" não deixamos de ser um raça menor.

- Segundo o "entusiasmo" que existia nessas manifestações era "imposto". A Mocidade Portuguesa não era opcional, e muitos dos empregos que se poderiam ambicionar exigiam uma inscrição numa dessas organizações, nomeadamente na Legião Portuguesa.

- Terceiro esse "entusiasmo" que existia aqui nos anos 30 e 40, era o entusiasmo dos ignorantes e que ocorreu imposto pelo medo numa Alemanha, numa Áustria, numa Itália e numa Espanha, pois a "propaganda desses regimes" apresentava os seus defensores como invencíveis e a causa de todos os problemas era justificada sempre com o inimigo externo. Fosse ele os estrangeiros ou os povos de outras culturas ou religiões. Todos os outros, nomeadamente os Ingleses, os Americanos ou os Russos eram povos menores que iriam ser derrotados. Mas imagine-se que quem foram derrotados na II Guerra Mundial de uma forma humilhante foram esses "arianos". E quem os venceu foram povos livres não são desses países que lhe deram luta, mas povos de várias "cores" e culturas de todo o mundo. Oriundos das savanas de África, da península Indiana, do desertos do Médio Oriente e do Norte de África, do Cáucaso, das estepes Asiáticas, etc.

- Quarto, é este mundo multi-cultural, livre, de ideias abertas e sobretudo com um coração muito grande que se está a impor por todo o Mundo.

O que lhe resta a si?

O apoio de meia dúzia de "saudosistas", o regresso a um passado que ninguém deseja, estar ao lado de pessoas como Mahmoud Ahmadinejad?

Belos tempos são é estes onde Portugal é livre, democrata e onde TODOS podem viver em paz. E, imagine-se, que até quem tem ideias como as suas pode ser tolerado.  

Mas a grande diferença, entre nós os Democratas e as pessoas que defendem as suas ideias retrógradas, é que nós temos CORAGEM de defender as nossas ideias publicamente, no seu caso é cobarde e não se identifica.  

PIIGS vs BIGS THREE

Cerca de 50% da dívida dos PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) está tomada às três grandes economias da UE, Alemanha, França e Reino Unido. A França financiava, em Dezembro de 2009, 911 biliões de dólares, a Alemanha em 704 e o Reino Unido 418.

Simplificando, se os PIIGS deixarem de pagar as dívidas arrastam os BIGS THREE (França, Alemanha e Reino Unido) com eles. É interessante comparar a nossa dívida e a da Grécia com a da Irlanda. Afinal a Irlanda é capaz de estar bem mais atrapalhada do que se pensa.

Porque é que não se fala quase nada dessa dívida?

Exportações aumentaram

Entre Fevereiro e Abril as exportações aumentaram 18,4 por cento, pode ler aqui. É sempre bom ter boas notícias.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Birra ou afinal o que era não era

Primeiro Manuel Moreira inaugurou uma passagem de nível com pompa e circunstância, como se pode ler aqui e aqui.

Esta obra da REFER não só deu para duas notícias no site da Câmara Municipal, mas serviu ainda para dizer "que a supressão das 2 passagens de nível sobre as linhas do Douro e do Tâmega, que implicaram um investimento de 1 milhão e 428 mil euros, vêm de encontro a uma pretensão antiga da população para garantir total segurança no atravessamento da linha do comboio". Claro que esquecendo de referir que se trata de um investimento da REFER.

Passado pouco mais de duas semanas Manuel Moreira faz uma "Birra" e promove uma conferência de imprensa para dia 11 de Junho a exigir à REFER e ao Governo que concretize o investimento previsto, como se pode ler aqui.

Mas agora a obra é já da REFER e do Governo!

Artur Melo não deixa assim de marcar pontos ao dizer aqui que "Estranha-se tal tomada de posição, quando dias antes vimos o presidente da Câmara apropriar-se de uma obra que não é sua (inauguração de uma passagem desnivelada em Santo Isidoro) e vir reclamar agora um investimento quando inaugurou parte dele".

Artur Melo sossega também Manuel Moreira ao afirmar que "a electrificação da linha do Douro Caíde-Marco é uma obra de cerca de 120 milhões de euros, estando o concurso em fase de conclusão", o que mostra que a oposição até dá uma ajuda para que Manuel Moreira possa realizar até ao fim do mandato mais algumas inaugurações à custa da REFER, e nessa altura esquecerá de quem é o dono da obra.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mocidade Portuguesa outra vez?

Eu fui um dos poucos da minha geração que vestiu durante dois anos, e aos sábados de manhã, a farda da Mocidade Portuguesa. Mas fiz-lo porque fui obrigado pelo Estado Novo. Vivia em Moçambique e ao contrário de cá ainda se era obrigado a essa "actividade escolar". Estávamos no início do anos setenta e o 25 de Abril ainda não tinha chegado. Não concordando com a Mocidade Portuguesa e pouco mais podendo fazer eu e alguns dos meus colegas quando tínhamos que cantar o hino da mocidade protestávamos cantando-o com uma letra "bem especial".

O que eu não contava é que 35 anos depois do 25 de Abril iria voltar a ver crianças a vestir uma farda que deveria envergonhar qualquer pessoa que se identifique minimamente com a Democracia. Não consigo encontrar nenhuma justificação para tal acto repugnante ao não ser que por trás desta atitude esteja algum "saudosista envergonhado" dessa época que já lá vai.

Pode ler mais sobre esta triste notícia aqui, onde se diz que "Vamos proporcionar não só aos alunos como à própria cidade de Aveiro um belo momento de revisão da nossa história recente".

Actualização: Pode ler mais aqui e aqui.

Mais uma de Manuel Moreira

Ou melhor, mais uma a que Manuel Moreira se "cola". Como já tinha sido comentado no Marco Hoje, e que se pode ler aqui. Não fica bem ser omitido o mérito de uma iniciativa a quem a tem e tentar, mais uma vez, passar para a opinião pública Marcoense de que se está perante uma iniciativa da responsabilidade exclusiva do Presidente da Câmara. Está em causa as II Jornadas de Educação Especial que tiveram este tratamento "especial" no site da CMMC, como se pode verificar aqui.

domingo, 6 de junho de 2010

A estratégia de Manuel Moreira

Quando Manuel Moreira se candidatou nas últimas eleições já estava consciente da situação real em que a autarquia se encontrava. Apesar disso realizou um conjunto de promessas que sabemos que serão irrealizáveis. Mas como bom "político" que é  já tem definida claramente qual vai ser a sua estratégia de "marketing" para este seu segundo mandato. Aproveitar todas as oportunidades para se "colar" a qualquer obra realizada no concelho para dar imagem de que estas obras estão a ser realizadas pela autarquia a que preside.

Depois das inaugurações à custa da REFER, temos agora a visita às obras na variante EN211 à custa das Estradas de Portugal.

Anuncia-se com toda a pompa e circunstância, realizam-se comunicados à imprensa como se pode verificar aqui e isto tudo para se anunciar que Manuel Moreira e um Director das Estradas de Portugal vão percorrer o traçado que foi alvo das melhorias.

Nesta altura não seria oportuno pouparem-se os custos associados a esta "operação de marketing" e utilizar antes o tempo dispendido em encontrar soluções para a situação complicada em que a autarquia se encontra?

Discurso de José Luís Carneiro

Quem não teve possibilidade de ir ao Palácio da Bolsa para assistir ao discurso de José Luís Carneiro poderá ler o mesmo na totalidade aqui.

Do seu discurso na minha opinião destaco uma das suas propostas: "A apresentação de um Plano de Desenvolvimento integrado para a Área Metropolitana do Porto e para o Vale do Sousa e Baixo-Tâmega, a ser subscrito pelos nossos candidatos, onde sejam inscritos os projectos, as medidas e as acções que permitam desbloquear alguns dos constrangimentos ao nosso desenvolvimento." 

Na minha opinião a autonomia das autarquias criou no desenvolvimento do país, e do nosso distrito em particular, um descoordenação em muitas das medidas de apoio ao desenvolvimento que só poderiam ter tido sucesso se fossem enquadradas por uma visão inter-municipal. Assim esta medida prometida por José Luís Carneiro poderá ter um impacto profundo no dia-a-dia de cada um de nós.

Para acompanharem o debate entre os dois candidatos à federação socialista poderão  ao site "Por um Porto de Esperança" da candidatura encabeçada por José Luís Carneiro e ao site "PS Positivo" da candidatura encabeçada por Renato Sampaio.

V Feira Cultural de Soalhães

Porque nunca votaria em Cavaco Silva

Fiquei espantado ao ler aqui e aqui que o actual PR "apelou aos portugueses para que façam férias cá dentro".

Podemos todos pensar que a ideia pode ser boa, mas qualquer economista, social-democrata ou liberal, perceberá que este tipo de apelos é politicamente e economicamente errado. Estamos numa economia aberta, onde este tipo de proteccionismo nacionalista e populista não faz nenhum sentido. O nosso turismo precisa que ingleses, espanhóis, alemães, suecos e outros europeus venham cá passar férias, e para isso é necessário que continuemos todos a funcionar como uma economia europeia e não como uma pequena economia num canto da Europa orgulhosamente só. Aliás muitas das empresas que exploram em Portugal o turismo não são portuguesas e algumas das empresas para onde os portugueses vão lá fora gozar as suas férias são portuguesas. O que dirá a TAP e outras transportadoras áreas destas palavras. E se cada Presidente de Câmara apelasse aos seus munícipes para passarem as férias cá em casa.

Muito bem o Ministro da Economia Vieira da Silva, de Xangai, respondeu com a seguinte declaração "Eu só espero que outros chefes de Estado de outros países não façam o mesmo apelo, porque senão perdemos uma fonte importante de divisas em Portugal,", que pode ler na íntegra aqui.

As declarações de Cavaco Silva não ficariam bem a um europeísta, nem a uma qualquer social-democrata. Não ficariam bem a qualquer economista e sobretudo a nenhum Professor de Economia. Ninguém dos principais partidos democratas portugueses deverá reconhecer-se nas mesmas. Os únicos que estarão extasiados são alguns grupelhos da direita nacionalista por verem o "seu" Presidente da República a defender claramente as suas ideias. 

O que virá a seguir? 
Vamos ter um apelo para expulsar os emigrantes porque nos estão a roubar empregos, ou a mandar que as mulheres que fiquem em casa porque existem homens desempregados. 

Senhor Presidente, estamos no início da segunda década do século XXI, não estamos nos fins do século XIX.