sexta-feira, 30 de abril de 2010

Mosteiro de Vila Boa do Bispo


As origens do mosteiro de Vila Boa do Bispo recuam aos derradeiros anos do século X ou primeiros da centúria seguinte. Entre 990 e 1022 (ou em 1008, como pretendem alguns autores, um primitivo cenóbio foi fundado por D. Mónio Viegas, o Gasco, cavaleiro francês que combateu al-Mansur e alcançou grande prestígio nesta secção relativamente interior de Riba-Douro. De 1022 é uma discutida inscrição (realizada em data posterior a essa data) na tampa de um sarcófago existente no claustro, que indica ter sido aquele o túmulo de D. Mónio e de dois dos seus filhos. O facto de se tratar de uma inscrição posterior à data efectivamente epigrafada, porém, levou Mário Barroca a equacionar a hipótese de se tratar de uma legenda do século XIII, eventualmente realizada por "algum descendente da linhagem dos Gascos em busca de prestígio social".

Até à segunda metade do século XII, a história deste Mosteiro está envolta em lendas e atribuições duvidosas. De acordo com antigas crónicas, existia uma inscrição de 1035, associada ao sarcófago do bispo portuense D. Sesnando, cujos restos mortais foram trasladados para a parede Sul do templo em 1142, por ordem de D. Pedro Rabaldes, outro prelado do Porto. No entanto, quer a indicação de 1035, quer a de 1142 (data que algumas crónicas indicam ter estado epigrafada numa pintura mural no local do túmulo) são de existência duvidosa e não podem ser aceites sem reserva.

A igreja que hoje subsiste data dos finais do século XII ou inícios do seguinte, à semelhança de uma grande parte do nosso Românico. Nessa altura, ter-se-á refeito integralmente o templo monacal, dotando-o de uma estrutura comum para a época, de nave única e capela-mor rectangular, esta última provavelmente abobadada e apresentando arcarias cegas no exterior.

É precisamente a existência de arcadas cegas - na fachada principal e não na capela-mor, esta entretanto muito adulterada - o principal motivo de interesse do edifício, uma vez que se trata de uma solução sem paralelo no nosso país. Conservam-se uma arcada inteira e o arranque de uma segunda, no lado Norte da fachada principal, sendo as aduelas decoradas por animais afrontados. A contextualização destas formas não é fácil e tem vindo a ser objecto de discussão. Parecem não restar grandes dúvidas acerca de uma ascendência francesa (eventualmente passando pela Galiza), mas a verdade é que encontramos aqui analogias com os primeiros ensaios românicos de Braga, de Rates e de Travanca, o que poderá recuar a datação do conjunto em mais de meio século.

Na Baixa Idade Média, vários foram os homens importantes que aqui se sepultaram. D. Júrio Geraldes, corregedor do rei para o entre-Douro-e-Minho, encomendou dois túmulos pela década de 60 do século XIV, um para si e outro para D. Nicolau Martins, que sucumbiu em 1348 à Peste Negra, realizações que se encontram, actualmente, inseridas em modernos arcossólios da parede Norte do corpo. Um terceiro túmulo, já do século XV e que se encontra adossado ao flanco exterior Sul, é de D. Salvado Pires.

As maiores transformações no conjunto ocorreram a partir da segunda metade do século XVII e até aos meados da centúria seguinte. Para além da radical transformação das áreas monacais, o templo foi objecto de uma vasta campanha de obras, onde se conta a refeitura quase integral da fachada principal (com novo portal e mais ampla iluminação) e a actualização estética do interior. A parte mais simbolicamente relevante foi tratada como uma igreja forrada a ouro, uma vez que o arco triunfal, o tecto da capela-mor e as paredes fundeiras da nave e capela foram revestidos por uma homogénea solução de talha dourada em associação a retábulos. Na parede Norte da nave ainda subsiste o púlpito e o varandim trapezoidal policromado, de onde os monges assistiam às cerimónias litúrgicas.

Texto enviado por um leitor que quis com a sua contribuição dar a conhecer melhor a história deste monumento Marcoense.

Conferências de Tongobriga

Integradas no Ciclo de Conferências, vão realizar-se, no próximo dia 30 de Abril, as sessões sobre os temas: Leituras contemporâneas e Especificidade do papel da escola na salvaguarda da herança cultural, sendo oradores, respectivamente, Lino Dias, António Leite e Joaquim Azevedo.
As abordagens, seguidas de debate, serão feitas ao jantar no restaurante junto ao forum de Tongobriga, servido pelas 20 horas.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Anuário Financeiro dos Municípios 2008

Consegui aceder hoje ao Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses 2008, edição da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas. Da sua análise passo a transcrever as posições nos diversos rankings onde o Município de Marco de Canaveses é mencionado.

O Marco não teve receitas creditícias (utilização de novos empréstimos) em 2008, o que voltará acontecer em 2009. Pelo que sabemos terá a ver com a dificuldade que o executivo tem tido em conseguir junto das instituições bancárias condições para a aprovação de novos empréstimos ou renegociação dos actuais.

Relativamente ao Ranking 5 Municípios com maior grau de execução da receita cobrança em relação ao orçamento da receita encontra-se na posição 30 com um grau de execução de 90%. Não deixando de dar alguma importância à posição, não podemos ignorar que esta percentagem é em função do orçamento corrigido e existe ainda o facto desta receitas cobrada corresponder a valores facilmente previsíveis. Demonstram também a pouca variabilidade que as receitas apresentam. Apresenta também uma boa posição no R10 Municípios com maior rácio Receitas liquidadas/receitas previstas, na posição 21.

É indicado que Marco de Canaveses, juntamente com a Calheta e Fornos de Algodres, são os únicos municípios com Fundos Próprios Negativos, isto é por outras palavras numa situação de falência técnica. Como já se sabe este valor em 2009 atinge os assustadores 28.092.548,46 Euros.

No Ranking 13 Municípios com maior Passivo exigível (dívidas) em 2008 o Marco encontra-se na posição 35, e no R13.B - Municípios com maior Passivo exigível (dívidas) em 2008 - Média Dimensão, a posição piora para a posição 16. Piores que o Marco neste importante ranking estão respectivamente Aveiro, Funchal, Covilhã, Fundão, Vila do Conde, faro, Santarém, Portimão, Figueira da Foz, Guarda, Oliveira de Azeméis, Valongo, Évora, Seia e Portalegre. São várias capitais de Distrito e concelhos bem mais desenvolvidos que o nosso.

No Ranking 22 Municípios com maior Endividamento Líquido aparece na posição 28.

No R23 Municípios com pior índice de endividamento líquido em relação às receitas do ano anterior, está na posição 19 com um valor de 208%. Este índice é demostrativo do peso do endividamento em relação à receita e neste caso o endividamento é mais do dobro da receita anual.

No R25 Municípios com maior peso da dívida à banca sobre as receitas cobradas em n-1, apresenta a posição 6 com o valor de 210,5%, uma das piores posições nos rankings.

Ainda são apresentados os dados económicos do Município de Marco de Canaveses que em 2008 foram resumidamente:

- Total dos Custos 21.083.336 Euros
- Total dos Proveitos 22.397.647 Euros
- Resultados Operacionais 3.288.949 Euros
- Passivo Exigível 44.437.437 Euros

Na lista dos Municípios por nº de habitantes o Marco aparece na posição 51, com 55.275 habitantes.

Manuel Moreira na última Assembleia Municipal em Ariz  repetiu várias vezes que não deitava a "toalha ao chão".  Mas eu pergunto se não seria melhor para todos nós que ele e o partido que representa reflectissem e permitissem que alguém com maior capacidade assumisse a liderança de uma mudança para melhor?

terça-feira, 27 de abril de 2010

As Más Notícias são para Todos

As implicações da baixa do rating de Portugal, anunciada aqui, tem implicações muito negativas para todos Portugueses com Nós. Esta revisão em baixa deve-se às "fraquezas estruturais económicas e fiscais". O impacto imediato verifica-se-á nas taxas de juro associadas ao financiamento externo do governo. Teixeira de Santos diz aqui que o "País tem que responder a este ataque dos mercados" e que “não é tempo para querelas inúteis" e acrescenta que "neste momento temos medidas focadas no corte da despesa e é nessas medidas que temos de concentrar a nossa atenção: reduzir o peso do Estado, reduzir a despesa e corrigir o défice excessivo”. 

O que eu concordo totalmente.

Carlos Costa Pina afirma aqui que o Governo português irá adoptar "todas as medidas necessárias para garantir a confiança na nossa dívida pública". Pedro Passos Coelho, aqui, declara que "As nossas diferenças, entre o PSD e o Governo, não nos impedem de fazer a defesa do país, que está sob ataque especulativo desde sexta-feira, o que está a por em causa a nossa soberania nacional". O CDS-PP reagiu aqui sem surpresa à decisão da Standard&Poor’s de cortar nos níveis de rating. A Bolsa de Lisboa fechou em forte queda, como pode ver aqui. Os credit default swaps (CDS), subiu já para 351,9 pontos-base, como pode ler aqui. E pode ler aqui que a agência de notação financeira Fitch anunciou que reduziu o rating também.

Estas notícias vão ter também impacto nas taxas de juro reais que nós, as nossas empresas e a nossa autarquia terão que suportar num futuro próximo. O esforço de mostrar credibilidade terá que ser de todos, mas também caberá a quem tem a responsabilidade de liderar criar as condições para que todos os Portugueses e Marcoenses como Nós possam neste momento ter um papel activo.

Resposta de Rui Cunha

Caro Jorge Valdoleiros,

Embora não o conhecendo pessoalmente dirijo-lhe estas palavras apenas em nome da ética política e porque facilmente pode referenciar-se sobre mim. E acreditando nas pessoas entendo dever, numa primeira falha sua, seguir esta comunicação cordial.

Diz, no seu post, que eu neguei as palavras que o Dr. João Valdoleiros atribuiu a Gil Mendes. Falso! Não o fiz porque, como lá disse, não conhecia o assunto e porque lhe telefonei naquela noite ele disse não se lembrar de tal situação. Foi apenas o que disse!
Diz, também, no seu post que eu disse que a promessa eleitoral se mantinha! Novamente falso! Nem referi tal situação. Apenas defendi o bom nome do meu companheiro de direcção de partido, Gil Mendes.
Se necessitar ajuda-lo-ei a ouvir as gravações. Vamos fazer política efectivamente diferente. Recorrer à falsidade é coisa que não acredito que faça intencionalmente.


Cumprimentos,
Rui Cunha

PS: Agradeço antes de mais a sua mensagem. Obviamente também prezo a ética política e se me diz que não negou as palavras atribuídas a Gil Mendes e que não conhecia o assunto não preciso de ouvir nenhumas gravações, basta-me a sua palavra, que respeito. Durante o debate pareceu-me que realmente tinha negado que as afirmações tinham sido realizadas por Gil Mendes, o que até era verdade, e daí a minha confusão. Se não disse nada sobre a "promessa eleitoral" de uma escola EB23 para Ariz, também acredito, e então fiz confusão com o discurso do Presidente da Câmara Manuel Moreira que (mas já começo a duvidar da minha memória) que terá confirmado inicialmente a promessa, até por esta estar na Carta Educativa, mas por fim confirmou também que não existiria capacidade financeira para realizar a obra na situação actual da autarquia. (obviamente as palavras não foram textualmente estas, mas julgo que o sentido foi este). Não sabendo nada deste assunto obviamente não saberia quem tinha sido autor das afirmações e dai não poderia ter evitado a continuação da polémica. Mas como compreenderá, mesmo não dando muita importância a essas "tricas" realizadas durante a campanha, é sempre bom que todos nós fiquemos bem esclarecidos com toda a verdade em nome da ética política e do Marco.

"Inishmore", por Rodrigo Lopes

"Inishmore" é o título do livro publicado por Carla Ribeiro, uma jovem Engenheira do ambiente, natural de Fornos, e actualmente a trabalhar em Inglaterra.
Carla Ribeiro, serve-se das suas experiências profissionais, que resultam das muitas viagens que faz pela Europa e Brasil, para criar Inishmore, uma Ilha Irlandesa, "um lugar particularmente avesso a mudança e a transbordar de orgulho e misticismo. È também uma das três ilhotas ao largo de baía de Galway, de onde a família Lynche era originária e para onde foram viver Michael e o pequeno Maírtin depois de regressados de Paris e perdoados pelo patriarca".
Inishmore publicado pela Chiado Editora, vale a pena ser lido.
Os meus parabéns a Carla Ribeiro, minha sobrinha.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Repondo a Verdade dos Factos

Na passada Assembleia Municipal realizada em Ariz, na sede da Junta de Freguesia, o deputado municipal João Valdoleiros antes da ordem do dia realizou a seguinte declaração, que passo a transcrever na integra:

Aproveitando o facto da sessão da Assembleia Municipal se realizar na freguesia de Ariz, vem o Grupo Municipal do Partido Socialista, em desagravo do Vereador Dr. Artur Melo e do Partido Socialista, afirmar que o seu Vereador e o Partido Socialista, não mentem, nem afirmam o que não podem comprovar.
O mesmo não aconteceu com o PSD. pela boca do ex-Secretário da Junta de Freguesia de Ariz e actual vice-presidente da concelhia do PSD, durante um comício realizado pelo seu partido, uma semana após a realização do comício do Partido Socialista nesta freguesia, no qual este actual membro da concelhia do PSD afirmou ter Artur Melo mentido à população de Ariz.
No referido comício do Partido Socialista, Artur Melo limitou-se a afirmar o seguinte, e passo a citar:
- “A promessa efectuada pelo candidato do PSD, Dr. Manuel Moreira, da construção de uma escola em Ariz, só se poderá concretizar a expensas da Câmara Municipal, já que não há qualquer candidatura para esse efeito”.
- E continuando a citar Artur Melo, “dada a construção aprovada para o Centro Escolar de Vila Boa de Bispo e a construção há anos da E B2.3, em Sande, e estando Ariz no meio destas freguesias, a construção desta Escola Básica Integrada em Ariz só será possível com verbas da Câmara Municipal, pois não há concursos públicos a decorrer para esse efeito”.

Mais tarde, Artur Melo, em reunião pública de Câmara, questionou o Executivo, que confirmou não haver concursos abertos para aquela construção escolar, nem verbas disponíveis, desculpando-se com o estafado argumento da velha questão financeira.

Necessário, se torna portanto ressalvar, que o que Artur Melo afirmou, correspondia à Verdade, e que pelo contrário a afirmação peremptória daquele elemento do PSD, desvirtuando o discurso de Artur Melo e na presença do candidato do PSD à Câmara, Dr. Manuel Moreira, que se limitou a ouvir e a calar, nada abona em favor da imagem pública que os Políticos devem transmitir à população. 

Após esta declaração Rui Cunha, líder do grupo municipal do PSD, embora tenha negado que Gil Mendes tenha realizado as referidas afirmações continuou a defender que a “promessa eleitoral” se mantinha. Será que Rui Cunha teve um lapso de memória ou desconhecia que o autor das afirmações, contra Artur Melo, era afinal o actual Presidente da AM? O que evitaria logo ali a continuação da polémica à volta de Gil Mendes e passar-se-ia a discutir meramente a polémica da “promessa eleitoral”. 

Acredito que a relevância da declaração de João Valdoleiros não era de ordem pessoal, mas de ordem política, porque sendo o verdadeiro autor das afirmações o cabeça de lista para Assembleia Municipal do PSD e actual Presidente da AM os factos relatados por João Valdoleiros teriam ainda maior importância política.

Ainda na sequência Manuel Moreira na sua intervenção seguiu inicialmente a mesma linha de defesa de Rui Cunha mas acaba por confirmar o que o PS Marco sempre afirmou. A “promessa” existe só no papel, não existindo nenhum plano concreto para se realizar pois não existe capacidade financeira da autarquia para a realização da obra.

No período de intervenção do público Gil Mendes, no seu total direito de cidadão vem defender-se das acusações, negando ter sido o responsável pelas afirmações, mas também se escusou a explicar quem as tinha realizado. O que eu compreendo. Não percebo é o ataque que realizou a João Valdoleiros pondo em causa o seu activismo político, desconhecendo como depois se veio a confirmar qual o curriculum politico daquele deputado do PS.

João Valdoleiros, na resposta, vem repetir de novo o que antes tinha dito e aproveitou para informar os presentes do seu passado político que teve início faz agora 36 anos. Na sequência desta intervenção e porventura para evitar que a polémica continuasse António Coutinho , ainda que tardiamente, informou a Assembleia que, a falar verdade, tinha sido ele o autor das afirmações realizadas na campanha eleitoral. 

De facto, na minha opinião, nesta polémica toda deu-se mais importância a quem por parte do PSD fez um conjunto de afirmações menos correctas, do que o facto de mais uma promessa eleitoral ter sido realizada sem nenhuma possibilidade de poder vir a ser concretizada. Gil Mendes tem razões para não ficar contente e tem razões de queixa de ter sido metido numa guerra a que era alheio, e por tal facto já lhe foram pedidas desculpas pela parte do deputado do PS, João Valdoleiros. Os responsáveis do PSD poderiam ter logo esclarecido a Assembleia deste facto e evitado o arrastar desta polémica sobre os autores das afirmações e debaterem-se antes as razões políticas por trás da “promessa eleitoral”.

O blogue Marco 2009 especula dizendo ter o PS escolhido como alvo político Gil Mendes. Nunca esteve em causa o bom nome do cidadão Gil Mendes, politico fortemente empenhado na luta contra os anteriores executivos de Avelino Ferreira Torres, e nunca foi intenção de aquele ser constituído como alvo politico. Não reconhecemos é o direito de especular com o erro de identidade do autor da acusação então formulada contra Artur Melo, e consideramos que não é correcto que se destaque a troca de nomes e se omita totalmente a promessa que Artur Melo denunciou como irrealizável. O futuro e o executivo de Manuel Moreira em reunião pública da Câmara deram-lhe razão.

PS: Não há limites no tempo quando se trata de repor a honra e a dignidade de qualquer cidadão.

Endividamento Autárquico

Não estamos sós, um pouco por todo o país as más notícias sobre as contas das autarquias sucedem-se.

Vale a pena ler esta notícia sobre a conferência "Poder Local". Mas quem desvaloriza esta subida aqui é o Tribunal de Contas, considerando "que as dívidas das autarquias estão sob controlo", e a Associação de Municípios Portugueses diz aqui que é "um endividamento controlado, que não é susceptível de derrapagem ou incumprimento". Será ?

Também se diz aqui que "um em cada três municípios tem resultados económicos negativos", e aqui é dito que os "municípios perderam independência financeira em 2008".

E mais não digo.

Revolução dos Cravos, por João Valdoleiros

Comemora-se hoje o golpe de Estado militar de 25 de Abril de 1974, que ficou conhecido na nossa história, como a Revolução dos Cravos, data esta, à qual mais tarde se viria a chamar o Dia da Liberdade.
Fazendo uma rápida resenha histórica dos acontecimentos ocorridos na época, verifica-se que a génese desta revolução teve, como causa primária, uma guerra colonial injusta para todas as partes envolvidas, que só trouxera lágrimas e luto pelas constantes perdas de vidas, que estropiara para sempre muitos dos nossos jovens e que consumira até então avultados meios financeiros para custear os seus encargos, delapidando ainda mais a débil economia do país.
Entenderam aqueles militares, os Capitães de Abril, que Portugal precisava de uma mudança de rumo, que o levasse até ao convívio das nações, ditas democráticas e desenvolvidas.

O mito do “orgulhosamente sós” teria que ser desmontado.

Aqueles militares de Abril, homens de rija têmpera e forte sentimento patriótico, sentiam como ninguém, dado que viviam os horrores da guerra e a sofriam na pele, que se impunha uma mudança de regime político, pois o país caminhava para o abismo, face à conjuntura política internacional, que na época já há muito colocara Portugal na cauda da Europa, fosse qual fosse o tipo de análise efectuada à vida dos Portugueses e de Portugal.
O nosso isolamento em relação à Europa e a muitas outras regiões do Mundo, era total, a falta e a recusa de apoios internacionais era uma constante. As condenações do regime ditatorial vigente, pelas mais altas instâncias, como a ONU e a Amnistia Internacional, eram frequentes. A própria Igreja em Portugal, veiculava através de alguns dos seus mais altos representantes, sérias dúvidas, se não mesmo certezas, sobre a justiça da guerra, dita “colonial”. Houve mesmo um acontecimento, que reportámos de grande significado político, quando muitos dos capelães militares se constituíram num núcleo de contestação à guerra.
Deveremos recordar e realçar também, a contribuição para a queda do regime ditatorial, embora de modo indirecto, dada por dois oficiais generais, altamente respeitados dentro das Forças Armadas. Refiro-me a António Spínola e Costa Gomes, fazendo sentir junto do poder ditatorial instalado, que o fim da guerra “colonial” e a consequente, paz, só poderia ser alcançada pela via do diálogo político e não pela força das armas, pese embora o argumento utilizado pelos militares afectos ao regime, de que nas três frentes activas do conflito, Angola estaria controlada, Moçambique em vias de controlo e a Guiné, reconhecidamente sem possibilidades de resolução.
Acabaram aqueles Capitães de Abril por se organizarem num movimento único, que designaram como o MFA – Movimento das Forças Armadas, inscrevendo como objectivos finais do seu movimento, a concretização daquilo, que designaram como a política dos 3 Dês:

Democracia, Descolonização e Desenvolvimento.

Hoje, todos podemos dizer, sem margem para dúvidas, que a Democracia está implantada, fortalece-se cada vez mais, dá-nos os seus frutos e que a ditadura de triste memória nunca mais voltará!

Quanto ao Desenvolvimento, ninguém que tenha vivido os tempos idos da ditadura, poderá contestar e deixar de reconhecer o enorme Progresso de que todos nós beneficiamos, nas mais diversas áreas de actividade, na Saúde, na Educação, na Justiça, no Apoio Social, nos Transportes, nas Vias de Comunicação, nas Comunicações, etc..
Alguém poderá pôr em causa que o direito à Cultura, à Educação, à Saúde, à Justiça e ao Apoio Social para todos, sejam conquistas do 25 de Abril de 74?
Alguém poderá pôr em causa que foi a Revolução dos Cravos que nos devolveu os valores da República, como a liberdade de expressão e de manifestação, a liberdade de reunião e associação, permitindo a legalização de sindicatos, de associações de estudantes e a formação de organizações de carácter partidário?
Para não falar já da extinção da Polícia Política, da abolição da Censura, da Libertação dos Presos Políticos, do fim das perseguições e prisão dos opositores do regime, do regresso dos nossos exilados políticos.
O direito de livre opinião, o direito de eleger e ser eleito, o direito ao Trabalho, a não discriminação da Mulher, o direito ao Bom-Nome.

Tudo isto só foi possível, graças à gesta dos Capitães de Abril!

Finalmente o D de Descolonização:
Será um lugar-comum dizer-se que foi a possível, face à conjuntura internacional na qual Portugal estava inserido. Podem vir agora os velhos do Restelo invocar que não foi uma descolonização exemplar, mas eu desafio que me provem o contrário.
Perante o isolamento internacional, em que até os nossos aliados nos abandonaram, deixando-nos numa situação tão precária, quanto grave.
Por tudo quanto significou para todos nós, o 25 de Abril, mais uma vez deveremos honrar a memória daqueles Capitães de Abril já falecidos e a todos os outros, agradecer profundamente, tudo quanto nos restituíram, em especial, o maior bem, a Liberdade.

Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal:

Não poderia terminar sem deixar de referir quanto o Partido Socialista se encontra extremamente agradado com as Comemorações do 25 de Abril de 1974 – Dia da Liberdade, desde a vigência da sua direcção à frente dos destinos da nossa Autarquia. Honra lhe seja feita e bem-haja pela sua disponibilidade e dedicação em defesa da causa da Liberdade.

PS: Este é o único discurso que chegou até ao MCN das comemorações do 25 do Abril em Marco de Canaveses , teremos muito gosto de divulgar qualquer uma das restantes intervenções.

Jovens Marcoenses em destaque

In metronews.pt:

A Câmara Municipal do Marco de Canaveses, na sua reunião pública de dia 22 de Abril de 2010, expressa um voto de louvor, aos alunos: Ana Santos, Daniela Silva, Francisco Vieira, Joana Loureiro, Joana Santana, João Costa, Inês Coutinho, Pedro Tovar e Sérgio Moreira, coordenados pela Dra. Filomena Barbosa Pinto, que após participação no IX Sessão de Selecção Regional, que decorreu em Vila Nova de Famalicão, nos dias 5 e 6 de Março de 2010, foram seleccionados para participar na fase final da XXII Sessão de Selecção Nacional do Parlamento Europeu de Jovens, que se realizou na Escola Secundária de Santa Maria, em Sintra, nos dias 16, 17, e 18 de Abril de 2010.

Estes alunos marcuenses representaram o “Comittee on Development” da Escola Secundária do Marco de Canaveses, e fizeram a defesa de 7 moções temáticas em inglês, com destaque, por exemplo, para a moção que versou sobre os acontecimentos do Haiti, e que visou debater a preparação da Europa para as catástrofes naturais.

O excelente desempenho dos jovens alunos marcuenses valeu-lhes a selecção para representarem Portugal na Assembleia-Geral do Parlamento Europeu de Jovens, que decorrerá na Ucrânia.