Para uma reunião da Assembleia Municipal que alguns previam calma, afinal mostrou-se muito agitada e interessante.
Uma das intervenções que me surpreendeu foi a de Bento Marinho. Este aproveitou para recordar a sua intervenção de Ariz e lembrou que realizou vários comentários (ou na minha opinião propostas) para controlar a despesa. das quais cito: "Pensar em reduzir o número de directores municipais", "controlo de movimentos de pessoas e bens das oficinas contratando segurança externa","reduzir a factura energética ... que foi em 2009 de 1,6 milhões de euros" .
Bento Marinho disse sobre estes comentários que "uns que gostaram, uns que ficaram indiferentes, uns tantos que reprovaram o que ele disse".
E acrescentou que continua perfeitamente convicto que tem razão e é necessário atacar a despesa corrente e em particular a despesa intermédia. E eu também.
Referiu ainda exemplos de outros municípios deste país que seguiram esse caminho. Depois chamou de novo à atenção que quando os juros subirem tudo aquilo que se puder emagrecer ao nível da despesa não vai chegar. E eu também.
Ainda se defendeu da sua comparação com os municípios de Amarante e Baião, citando-os como bons exemplos, que foi utilizada pelo PS (e já agora aqui) para estes referirem que são duas câmaras socialistas. Diz também que as pessoas que estão a gerir esses municípios são "competentes, sérias e honestas". E eu também.
A intervenção em Ariz de Bento Marinho já me tinha chamado atenção, não só porque concordo nestes pontos com ele, mas porque me parecia uma intervenção dissonante da maioria liderada por Manuel Moreira. Não posso também deixar de chamar atenção que Bento Marinho durante o mandato anterior poderia e deveria ter executado as propostas que agora defende, a não ser que não lhe tenham permitido que actuasse dessa forma. E a esta minha dúvida só ele poderá responder.
De facto estas duas intervenções foram notoriamente contra a linha de orientação seguida por Manuel Moreira, e se agora tentou não se colar demasiado às posições do PS, em Ariz fartou-se de repetir que João Valdoleiros tinha razão nas críticas que tinha realizado às contas da autarquia.
Por tudo isto, estava com curiosidade de ouvir como Manuel Moreira iria agora responder a Bento Marinho. Mas ainda mais espantado fiquei quando o próprio Manuel Moreira diz que não vai responder porque "Bento Marinho se foi embora".
A pergunta que fica no ar é:
Será que este "afastamento político de Bento Marinho" da gestão de Manuel Moreira é o anúncio público de grandes divergências internas dado que os problemas financeiros da autarquia se agravam dia a dia?