É absolutamente extraordinário o esforço que se faz nas redes sociais para se parecer socialista... Até eu quase que acreditava...
Sagrada é a integridade e a razão de o ser.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Um Município “Ocupado”, por António Ferreira
Ao longo destes últimos oito anos, sob a bandeira da mudança, este município foi sendo “ocupado”.
Apesar da débil situação financeira encontrada, isso não impediu o seu responsável de adquirir uma viatura para seu uso exclusivo e de afectar um condutor. Apesar das debilidades financeiras anunciadas, ao longo de quase oito anos, este funcionário, não prescindiu da mordomia de diariamente se fazer deslocar em viatura com condutor cedidos pela autarquia, efectuando duas viagens de ida e volta Marco de Canaveses/Porto.
Quanto custou ao erário público esta mordomia?
Apesar da débil situação financeira, não se inibiu de apresentar, em 14/04/2010, a Declaração de Nulidade da Deliberação Camarária de, 15 de Março de 2004. Hoje os Marcoenses podem pagar um pouco menos pelo serviço de agua e saneamento, mas não há mais um cidadão a beneficiar deste serviço e paira sobre todos, mesmo os que não usufruem dele, a ameaça de uma penalização no valor de 17 milhões de euros decorrente da decisão tomada.
Que investimento ficou por realizar decorrente desta tomada de decisão?
Apesar de se afirmar Marcoense, rodeou-se de pessoas, sem questionar a suas competências, “estranhas” ao Marco.
Pergunto será o Marco tão desprovido de quadros?
Ao longo de anos foi anunciando obras umas, aparentemente, que não eram da autarquia, Casa de Quintã, Projecto Douro-Carrapatêlo, anunciou outras que rapidamente esqueceu, Centro Escolar de Fornos, Centro Escolar de Soalhães e, anunciou outras como o Centro Cultural Casa dos Arcos e a Criação da Casa do Agricultor cujo “rasto” se desconhece.
Com a exceção de alguns metros de pavimentos realizados nos últimos dias, todos os passeios da cidade, que há oito anos ficaram por acabar, mantém-se no mesmo estado.
Como compreender esta requalificação Urbana quando na mesma cidade a meia dúzia de metros há ruas onde os peões não têm passeios?
Brindou-nos com muitos discursos, muitas festinhas, esteve presente na maioria das procissões, colocou mastros nas entradas da cidade mas, deste mandato destaco como obra “emblemática” a renomeação do estádio dito, Municipal.
terça-feira, 16 de julho de 2013
Dissidências no paraíso
Partido habitualmente dado a consensos, o PSD Marco parece estar a implodir. Hoje saiu no Jornal de Notícias o abandono em massa da direcção concelhia, em desacordo com a inclusão de Luís Vales na lista da Câmara para as autárquicas de 2013 em vez do n.º 4 desejado pela concelhia, o seu presidente Rui Cunha Monteiro.
O que perpassa disto tudo é que começa a não haver lugares para todos (até estes são finitos, infelizmente para Manuel Moreira), para oferecer em troca de vagas na vereação.
E parece que a assembleia municipal começa a ser pouco para quem se serve do Marco em vez de servir o Marco...
Lembrete
Lembra-se o PSD/Marco e o seu candidato que o máximo que uma candidatura pode gastar em campanha são 100 e tal mil euros. Calculando que existem uns 200 outdoors do PSD espalhados pelo concelho, cada um (custo da estrutura, mão de obra e lona), a rondar os 1000 euros, dá 200 mil euros. Mais o custo da enorme sede de campanha, o PSD Marco já duplicou o que é legal. Espero que haja alguém atento a isto...
Ainda por cima em tempo de crise, imagine o leitor o jeito que este dinheiro daria a tantas famílias que por todo o nosso concelho passam dificuldades.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
Que clima de escola?, por António Ferreira
Neste artigo, tendo interesse direto, tentarei, tanto quanto possível, ser imparcial e utilizar uma linguagem que não baixe do nível mínimo que o respeito pela instituição Escola me obriga. Espero que me acompanhem.
Assim, acompanhei com atenção e distanciamento todo o processo que recentemente um Conselho Geral conduziu com vista à designação do Diretor do Agrupamento. Os resultados foram esclarecedores. O projeto vencedor obteve 12 votos em 21 possíveis, o segundo projeto mais votado obteve 3 votos, os demais projetos um voto cada e um dos projetos não mereceu a confiança de nenhum dos conselheiros. Resultado que foi divulgado nas redes sociais pouco mais de uma hora após ter-se iniciado a reunião. Mera constatação.
O processo de exoneração da subdiretora, precedido e seguido de outras demissões/exonerações foi exaustivamente comentado neste blog. Recordo que a exoneração foi comunicada à visada, pelo seu substituto já empossado, quando a mesma chegou à Escola sede, cerca das 8.30 hrs, apesar de no dia anterior ter estado a trabalhar normalmente na escola. Não tenho notícia de casos similares! Completa ausência de respeito pela docente e, principalmente, pela Instituição!
Deste ato interpôs recurso para entidade competente que determinou a sua anulabilidade.
No mesmo diploma que publica o mérito do recurso, foi publicado novo despacho de exoneração. Um extenso texto “fundamentos da exoneração”, como mencionado no diploma legal, foi afixado em local público. Deste documento, contendo várias afirmações/acusações, destaco, “… Acresce ainda, que a Subdiretora recorreu ao recurso hierárquico, não tendo, após ter tomado conhecimento de Exoneração, de que tinha dez dias de acordo com o CPA para interpelar o Diretor sobre os fundamentos do despacho de exoneração. Ora, não fez, preferindo o recurso hierárquico. Este ato, consubstancia má fé”. “Tout court”. Incompreensível!
Durante meses a visada soube e a Comunidade Educativa conviveu pacificamente, que em local público estava afixado documento autêntico, onde constavam várias afirmações/acusações que sustentavam a exoneração que não correspondiam inteiramente à verdade. Tendo por base tais “fundamentos”, foramlhe instaurados, por Despachos de 26 de setembro de 2011 e de 06 de outubro de 2011, dois processos disciplinares que não conduziram à produção de prova que os sustentassem.
No âmbito do segundo processo que lhe foi instaurado, mera coincidência, foi convocada para prestar declarações, no dia em que foi publicado o aviso do concurso com vista à eleição do diretor ao qual foi opositora. Foi-lhe comunicada a decisão de arquivamento do mesmo, por ter prescrito, no dia seguinte à reunião do CG que elegeu o diretor. Mera coincidência.
Ao longo de dois anos, depois de afastada do Agrupamento, esteve a ser julgada na praça pública, para no final, em segredo, ver reconhecido, como sempre defendeu, que as acusações que lhe foram imputadas e publicitadas, não se confirmaram. A quem responsabilizar?
Ao longo deste penoso processo, que tenha conhecimento, o CG não viu necessidade para conhecer da sua versão dos motivos para a exoneração.
Ao longo de meses o mesmo CG, aparentemente, não se mostrou incomodado com o fato de os fundamentos da exoneração estarem afixados e disponíveis para consulta pública e, simultaneamente, serem objecto de processo disciplinar. Que estranho guião!
Ao longo de muitos meses foi sendo “julgada”, com base em afirmações que, em sede própria, em processos mandados instaurar por entidade competente e que designou as pessoas para os conduzir, não se confirmaram. Os processos foram arquivados sem aplicação de qualquer sanção ou advertência!
A quem imputar responsabilidades pelos danos materiais e morais causados?
Será esta a autonomia da Escola? Que valores transmite esta Escola?
O CG ao demitir-se de exercer as suas competências, estava em condições para avaliar, o longo e fundamentado projecto que lhe foi apresentado no concurso supra mencionado, questiono. Este projeto não teve qualquer voto! Mera coincidência.
Deixo-vos um desafio, reelaborem os resultados!
Esta geração que frequenta a Escola, merece uma Escola que transmita valores e que contribua para a sua formação como bons cidadãos.
Há uns anos ficamos na “história” com o badalado caso dos “pontapés nas cadeiras”, ora, se for possível a analogia com o descrito e verificado nesta ESCOLA PUBLICA, hoje, esse lamentável acontecimento, que teve lugar em local publico, no calor e em resultado do jogo, poderá ser “lido” como um “tratado de boas maneiras”.
Há uma vítima identificada, dezenas de outras “mencionadas” nas várias pautas escolares, tal o nível dos resultados obtidos e que conduziram à participação no programa TEIP.
Que estranho (e comprometedor) silêncio!
Assumam-se, por uma única vez, deixem a Escola (respirar)!
terça-feira, 2 de julho de 2013
Mudança?, por António Ferreira
Volta ao Marcoense um "velho" amigo, leitor e contribuidor atento e querido nestas paragens:
Fui contemplado com um “infomail” titulado “a mudança continua”. Neste documento o candidato, na primeira pessoa, anuncia aquilo que todos sabíamos, é “candidato a um terceiro e último mandato”. Não é claro, no documento, se foi uma decisão que impôs aos seus pares se foi resultado do apelo dos mesmos. Mais interessante será saber que papel teve a estrutura partidária (local), cuja sigla aparece de forma reduzida e a branco, na escolha do candidato e da restante equipa. A questão está em saber se foi escolhido ou se nos foi imposto?
Quando passa a falar no plural, “iniciamos”, “continuarmos”, anuncia que “queremos que a mudança continue, para juntos continuarmos a construir “Marcos de Progresso” na:
- Educação, quando acaba de contribuir para a viabilização de um projecto num agrupamento que há quatro anos foi rejeitado. Termina o corrente ano lectivo com 50% dos agrupamentos incluídos em programas TEIP. Será esta a mudança que pretende?
Onde está o projecto do Centro Educativo de Fornos, de Soalhães, que foram exaustivamente anunciados;
- No Desporto, que marco se estará a referir o ilustre candidato, ao Futsal em Alpendurada ou outros?
- Na Requalificação Urbana, mais um belo exemplo. É inquestionável a melhoria em curso e com custos para os cidadãos, em algumas, poucas, artérias rodoviárias, as mesmas que nos últimos anos e nos mandatos anteriores foram alvo de intervenções também elas significativas, não sendo certo que traga benefícios significativos aos utentes;
Que dizer da opção de requalificação da Rua Gen. Humberto Delgado?
É certo que os passeios das principais artérias de acesso à cidade, continuam sem pavimento e, em alguns, o mato obriga mesmo à convivência de peões e automobilistas no mesmo espaço. Os mesmos passeios que, há 8 anos, ficaram por acabar, i.e. av. Sant George les Baillargeaux, entre outros.
Nem uma linha sobre a Reforma Administrativa. Nem uma linha, nem um metro, referente ao saneamento e abastecimento de água.
Sem água e sem saneamento, será possível fazer do Marco um dos melhores municípios da Região?
È omisso em relação à rede de transportes rodoviários e principalmente à ferrovia.
Vários foram os eventos onde o envolvimento do candidato foi visível e deu visibilidade, designadamente, reclamando a electrificação da Linha do Douro, no entanto, o ora candidato, no exercício da função de líder da autarquia, alguma vez utilizou este meio de transporte ou sempre preferiu o cómodo transporte em automóvel colocado à sua disposição?
Se as reais limitações financeiras “herdadas”, associadas à, ora invocada, “conjuntura crescentemente desfavorável”, são argumento suficiente para justificar alguns condicionalismos, não deveriam, estas mesmas variáveis, ter sido suficientemente ponderadas na tomada de decisão de denunciar o “contrato das águas”?
Continua?... diria que não!
segunda-feira, 1 de julho de 2013
E não dá para reformá-los?
Não sei quanto tempo depois de eu, como deputado municipal do PS, ter votado contra a reforma administrativa, pela forma como foi conduzida pela Câmara e porque deu para perceber bem que pelo menos o povo de São Lourenço do Douro estava frontalmente contra e porque lá represento todo o povo do Marco e não uma freguesia ou um interesse, continua a querer justificar-se uma ou outra rebaldaria ou falta de honestidade com a atitude que tomámos enquanto grupo municipal.
Parece-me inusitado e desonesto que, a meses de distância, se diga que havia não sei que mapa que podia ser apresentado quando ninguém consultou nem ouviu ninguém.
É preciso que quando se dá uma opinião se saiba do que se fala e, caso haja alguma dúvida, pega-se no telefone ou manda-se um e-mail e... já está! Não há nada como elucidarmo-nos porque esta coisa das redes sociais é muito gira e modernaça mas há algo muito antigo que nunca sairá der moda e que me ensinou o prof. Dias Leite: na dúvida, calas-te, vais para casa, estudas a coisa e no dia seguinte assinas...
terça-feira, 25 de junho de 2013
Notas e comentários a rever
A política são as pessoas. Pessoas sem ideias
próprias, princípios e memória . . . não comungo.
A política terá que ser sempre um meio para
servir. Toda a minha vida lutei contra quem utiliza a política como um palco
para se servir.
Estive motivado a participar na "luta
política partidária" simplesmente com o fim de melhor poder servir a terra
onde realmente vivo e trabalho todos os dias. Lastimo com preocupação as
fraquezas do concelho e ambiciono uma terra melhor para todos nós.
Nos últimos 4 anos em especial foi deveras
interessante conhecer este meio partidário a nivel concelhio e distrital. Se
duvidas houvesse do que me esperava, foram abrilhantadas pelos atos de falta de
verdade, mentira, ambição desmedida de indivíduos sem valor, etc e tal.
O requinte da malvadez terá sido o facto de ter
servido de chantagem politica sobre um amigo, promovida pelo dirigente distrital, apoiado pelo dirigente concelhio numa mentira monstruosa que
alegadamente a minha pessoa terá proferido numa reunião dum orgão partidário.
Para meu delírio emocional a denúncia falsa partiu de 2 elementos desse mesmo
órgão, nada que não esperasse dessa gente.
O tempo fará justiça às cobardias, às mentiras, à
falta de ética politica e social de que fui vitima. A minha preocupação é
pequena em relação à minha pessoa. Nutro na sociedade em que estou inserido faz
muitos anos valores de referência, perdoem-me a modéstia. Preocupo-me sim por
outras pessoas próximas arrastadas para a lama sem perceberem o elemento.
Inimaginável o desgaste dessa gente nas tricas da
ambição, um dia vou voltar a elas, em vez de realmente lutarem pelo Marco ou
pelo menos não destruírem o trabalho desenvolvido.
Cresci e estudei no Marco, casei, trabalhei,
investi no concelho. Os meus filhos estudam no concelho, tento participar na
vida marcoense tanto quanto a minha vida profissional me permite. Sou um
Marcoense.
Acho uma piada imensa aquelas pessoas que
descobriram o Marco recentemente e dão-se ao cúmulo de se sentirem faróis do
conhecimento da nossa vida. Aparecem de 3 em 3 anos, escrevem e reescrevem
sobre tudo e todos, nem tão pouco investigam o que realmente acontece, decidem
por fofoquice e instintos de ego musculado. Muitas vezes têm mesmo receio de
auscultar quem está próximo e pensarão que deitar borda abaixo do camião um dos
eixos . . . o camião descida a mais, descida a menos vai acabar por se estacar
numa valeta.
sábado, 22 de junho de 2013
Poça...
A minha 3ª assembleia municipal acabou às 3 da manhã... Perguntam os 99% dos marcoenses que não sabem o que lá aconteceu: "Foi uma reunião quentinha, cheia de polémica, para durar até essa hora?" E eu respondo:
Poça, nada disso, se não fosse o sr. Lopes do Torrão aquilo nem animava, foram mais de 3 horas de agradecimentos ao sr. Presidente pela obra feita (por falar nesta, sou só eu que está com saudades da obra imaterial?), o sr. Presidente a falar já não sei do quê, aquilo depois de muito tempo começa a ser um emaranhado de palavras indescritível mesmo que pareça uma novela já que podemos passar 15 minutos "apagados" e quando retomamos percebemos tudo... Numa palavra, doloroso...
O mais giro da noite foi aquela deputada municipal do PSD que quando está sentada, virada para a frente e vota e isso tudo é de direita, mas quando se levanta e olha para a sala de frente já se imagina do lado esquerdo e fala como se não fosse de um partido que tem praticado políticas liberais, defendendo causas de esquerda de uma forma quase escolástica. Lembro-me da escola pública e da saúde para todos... Surreal.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
"Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios"
O mundo não nasceu connosco. Essa
ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos.
Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois,
pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim,
conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente
para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores.
Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa
de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa
tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.
O material que é trabalhado pelos
professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com
suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos
assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os
professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo,
com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que
aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que
acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse
material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos
professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.
Basta um esforço mínimo da
memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto
devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes
muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é
transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores,
os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de
trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual
ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram
há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais
aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se.
Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma
palavra que tendemos a esquecer.
Um ataque contra os professores é
sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os
professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar
forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência,
mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que
todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da
sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo
que ainda respire, já morreu.
Envergonhem-se aqueles que dizem
ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena
lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para
ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue
atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o
mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o
entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas
teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo,
sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que
existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar.
Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão
que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que
disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não
possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.
Recusar a educação é recusar o
desenvolvimento.
Se nos conseguirem convencer a
desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não
será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão
fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a
capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos
pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a
lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores.
Tenho esperança.
Artigo de José Luís Peixoto,
publicado na revista Visão de 13 de Outubro de 2011
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