quinta-feira, 14 de junho de 2012

As Minhas Memórias duma Guerra - Parte II

O velho “Niassa”, depois de cumprir outra longa viagem, mais uma vez carregado de “carne para canhão”, para alimentar a voracidade duma guerra de interesses pouco transparentes e mantida por toda uma série de justificações sem sentido (as moções de censura a Portugal, na O.N.U., pela sua política de nação colonialista, sucediam-se umas às outras), acostou finalmente ao cais do pequeno porto da cidade de Porto Amélia (hoje Pemba), fundeando na sua bela baía de águas muito profundas, com condições privilegiadas para aí se construir um porto de mar, capaz de admitir embarcações de quaisquer calados.


(Gozando o “cruzeiro” no Niassa)

Desembarcamos finalmente em terras de Cabo Delgado, província do norte de Moçambique, para escrevermos para a História Lusa, uma nova gesta de “heróis” (quais descendentes de Mouzinho de Albuquerque), sentindo na pele o calor abrasador daquele sol e sob os nossos pés, o contacto duma terra, totalmente estranha para a grande maioria de nós, em nada igual à nossa deixada para trás, terra com que não sentíamos qualquer afinidade, estranhos que eramos daqueles sítios, daquelas gentes, como que prenunciando e nos advertindo para quanto de árdua e dolorosa seria a nossa missão.

Reunidos no destacamento militar de Porto Amélia (Pemba), acabamos acomodados, com armas (na verdadeira aceção da palavra) e bagagens, em viaturas de transporte de mercadorias – vulgo camiões – onde melhor, ou pior acondicionados, iniciamos uma longa viagem até Nancatári, destino final da minha companhia militar, a C.A.R.T. 2717 (Companhia de Artilharia 2717, conhecida no teatro de guerra pela sigla - “Os Americanos”.

Os cerca de 300 Km foram percorridos em várias etapas, através das muito típicas estradas africanas, conhecidas na linguagem gentia pelo termo “picadas”, cobrando-nos essa primeira tarefa, quase três dias de viagem (cerca de 50 horas) extremamente cansativos, direi mesmo extenuantes, com paragens noturnas impostas pelas necessárias precauções em relação a possíveis ataques “terroristas”, e para descanso de condutores e “passageiros”.


(Aspeto usual das colunas de viaturas pesadas para transporte de pessoal militar, material de guerra e abastecimentos da mais variada ordem)

(“O “bom estado” das picadas com a chegada das chuvas)

No fim da primeira etapa alcançamos a povoação de Montepuez, povoação já com alguma dimensão populacional e sede do mais importante aquartelamento, no Norte de Moçambique, das tropas especiais, os conhecidos Comandos.

Na primeira das noites, passada num território com um clima desconhecido e muito enganador, rapidamente nos apercebemos, que após o abrasador calor durante o dia, também nos era dado sentir o frio gélido, cortante, das suas noites, devido ao “cacimbo” – uma espécie de orvalhada de S. João, bem mais fria.

À semelhança da larga maioria dos camaradas de armas, procurei, para descansar o corpo e tentar “passar pelas brasas”, o resguardo e proteção das “caixas” das viaturas, acomodando-me no chão duro, enrolado no chamado pano de tenda – peça de equipamento distribuído a todos os militares, essencialmente para proteção da chuva.

Acontece que o frio intenso, não nos deixava sossegar e decidimos, eu e mais três camaradas, pedir ajuda no aquartelamento dos Comandos, para que, se possível, nos fosse disponibilizada uma cama, ou no mínimo, um teto em ambiente mais acolhedor. Entabuladas as “negociações”, estas resultaram na cedência dum quarto com, apenas, duas camas individuais. Problema complicado? Só para outros, que não portugueses. Tal como o pobre não deve olhar ao valor da esmola, que lhe dão, também nós, usando da arte e do engenho, apanágio dos Portugueses, solucionamos o problema, juntando as duas camas e dormindo atravessados.

Foi-nos então possível conseguir 3 a 4 horas de sono mais reparador, para retornar à “coluna”, retomarmos viagem e efetuar nova etapa até à povoação e aquartelamento de Muirite, viagem igualmente muito exigente em termos físicos e agora também, cada vez mais psíquicos, pois adquiriamos passo a passo, quilómetro a quilómetro, uma noção quase táctil do pulsar do coração da guerra.

Aqui chegados, voltamos a ter as mesmas dificuldades de alojamento e a rapaziada lá se desenrascou à boa maneira portuguesa. Eu, em particular, senti-me um privilegiado, quando o radio - telegrafista de serviço em escala noturna, amavelmente me concedeu a possibilidade de usufruir da sua cama, enquanto durasse o seu turno, permitindo-me assim mitigar, em condições excecionais, a minha fadiga. Nunca poderei esquecer este gesto desinteressado e de grande solidariedade por parte deste camarada.

Seguiu-se para mim e para os meus camaradas da companhia C.A.R.T. 2717 a etapa final, de Muirite a Nancatári, talvez a mais desgastante de todas, quer a nível físico, quer a nível psíquico, não tanto pela distância percorrida, mas pelo facto de levarmos connosco, numa proteção considerada como indispensável, um grupo de camaradas já veteranos de Muirite, o que nos alertou para a circunstância de estarmos mesmo a entrar na zona de perigo, zona suscetível de ações de guerra.

É que neste trajeto já era habitual os “turras” colocarem as suas “marmitas”, para distribuir a sua “sopa”, e que “sopa”, meus amigos.



(As temíveis anti – pessoais, que estropiavam quem as pisava)



(Um exemplar de mina anti - carro, conhecida por “viúva negra”)

A noção da entrada em zona de perigo iminente por jovens soldados do chamado contingente geral, isto é, com pouca, ou nenhuma preparação específica para enfrentar uma guerra, com características sui generis, recém- chegados ao teatro de guerra e por isso mesmo, cognominados por “Maçaricos”, elevou os níveis de stress para valores não habituais, com todas as suas consequências físicas e psíquicas. Felizmente a etapa decorreu sem incidentes de maior e atingimos a nossa meta final, a pequeníssima povoação indígena de nome Nancatári, aconchegada à proteção do aquartelamento militar, satisfazendo por fim a nossa curiosidade sobre as “características” do nosso novo alojamento, onde desenvolveríamos a missão, que nos impuseram realizar durante os próximos 18 meses.


(Aspeto parcial do aldeamento civil de Nancatári)


(Vista aérea de Nancatári City)
(Em primeiro plano, o “aeroporto” com pista de terra)
(Considerada como uma das várias provas da esfericidade do planeta Terra)

A Nancatári chegava a minha companhia para render outra companhia, que terminada a sua missão na chamada zona de 100% (zona de teatro de guerra), se deslocaria para sul, indo cumprir missões de muito menor risco, como vigilância a linhas férreas (mais adiante irei especificar, porque me refiro a linhas férreas).

E mais uma vez, falharam os serviços de apoio estratégico de retaguarda. Os militares ainda “residentes” dispunham logicamente das suas camas e camaratas. Nós, os recém-chegados, mais uma vez tivemos que nos desenrascar – a mim saiu-me, em sorte, o chão de cimento da secretaria da companhia, onde extenuado, tendo por almofada o cinturão e o cantil, mais o pano de tenda como cobertor, descansei o “esqueleto”, num sono interrompido por sobressaltos, ao sentir-me volta e meia, quase tratado como “petisco” para toda uma multidão de baratas, cujas dimensões, minhas gentes, se diriam quase de palmo, tal era o seu inacreditável tamanho. Só mesmo vivido e visto dará para acreditar.

Texto de João Valdoleiros

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Achega sobre distritais

Uma coisa de que se ouve falar sobre as eleições para a distrital do PS é que José Luís Carneiro terá "feito muito pelo Marco". A última vez que ouvi o nome deste candidato ligado ao Marco, ele queria tirar a sede da Dolmen da nossa terra, com a anuência de um dos seus maiores apoiantes...

terça-feira, 12 de junho de 2012

Sessão Esclarecimento JS em Penhalonga

(clique para ampliar)

Lista A de delegados ao congresso do PS/Porto

Recebemos da candidatura de José Luís Carneiro à distrital do Partido Socialista a lista de delegados da sua moção "Por um PS de Vitórias - A Força do Norte", que será a Lista A:


EFECTIVOS


Nome
Freguesia
Nº Militante
1
Agostinho Sousa Pinto
Toutosa
118275
2
José António Valdoleiros
Tuías
118189
3
Marta Mota
Toutosa
118232
4
António Neves
Alpendorada
12932
5
Samuel Vieira
Tabuado
92668
6
Georgina Ferreira
Rio de Galinhas
49223
7
Rodrigo Lopes Pinto
Fornos
87532
8
Tiago Moreira
Rio de Galinhas
137730
9
Maria Lurdes Queirós
Tuías
13126
10
Amador Moreira
Santo Isidoro
118219


SUPLENTES


Nome
Freguesia
Nº Militante
1
Ricardo Soares
Ariz
137754
2
Izaira Monteiro
Fornos
118261
3
Joaquim Moreira
Santo Isidoro
118225
4
Augusto Gilvaia
Toutosa
46698
5
Fernanda Ferreira
Alpendorada
118200
6
Álvaro Coelho
Toutosa
65529
7
Leonardo Machado
Santo Isidoro
137748












domingo, 10 de junho de 2012

Lista B de delegados ao congresso do PS/Porto

Recebemos da candidatura de Guilherme Pinto à distrital do Partido Socialista a lista de delegados da moção "Porto Liderante". Um pouco para evitar que se especule e se deixe de fora apoios e nomes, fica aqui a lista em nome da transparência. Deixamos desde já o apelo à outra lista para que nos envie a constituição da mesma, para ambas terem o mesmo tratamento.

Pela Moção de Orientação Política “PORTO LIDERANTE” que tem como primeiro subscritor e candidato a Presidente, o camarada Guilherme Manuel Lopes Pinto (militante n.º 10.585).

EFECTIVOS


Nome
Freguesia
Nº Militante
1
RUI VALDOLEIROS
Paredes de Viadores
118192
2
CRISTINA VIEIRA
Soalhães
40305
3
DANIEL NEVES
Alpendorada
54364
4
JAIME TEIXEIRA
Fornos
113820
5
HELENA RUSSO
Fornos
116312
6
CÉSAR FERNANDES
Fornos
55349
7
LUÍS AZEVEDO
Ariz
137730
8
LIDIA AZEVEDO
Fornos
129522
9
PAULO PINHEIRO
Soalhães
50346
10
JOAQUIM MADUREIRA
Alpendorada
130838


SUPLENTES


Nome
Freguesia
Nº Militante
1
SANDRA PINTO
Soalhães
115222
2
JOSÉ DANIEL VIEIRA
Constance
139301
3
LUCINDA ALBUQUERQUE MOURA
Avessadas
118182
4
VÍTOR SOUSA
Constance
42467
5
CLAUDIA VIEIRA
Santo Isidoro
118228
6
ANTÓNIO ROCHA
Ariz
45333
7
EVA MOREIRA
Alpendorada
137854
8
DANIEL AGUIAR
Fornos
126304
9
DINA PINTO
Penhalonga
118752
10
NUNO AGUIAR
Fornos
115654

sábado, 9 de junho de 2012

(Mais) um Marco na Educação, por António Ferreira

Há dias o CM dava eco à revolta dos pais pela substituição da professora que tinha sido colocada, em substituição, no inicio do ano letivo. No corpo da notícia pode ler-se que os pais se sentiram enganados pois, o Agrupamento de Escolas “… garantiu que a professora iria ficar a dar apoio…”.

Compreensível, só a posição dos pais.

Ao que consta a docente que se encontrava a substituir não terá ficado a “dar apoio” e a docente que regressou ao seu local de trabalho terá ficado a “dar apoio”.

Alguma surpresa.

Surpreendido, ou talvez não, quando ouvi rumor que os alunos da turma em questão terão sido distribuídos por outras turmas. A ser verdadeira a informação, distribuição dos alunos e colocação da docente titular da turma a “dar apoio”, não posso deixar de questionar, entre muitas outras, a gestão dos recursos num momento de forte contenção orçamental.

Assim, se neste momento é possível distribuir os alunos pelas restantes turmas, provavelmente, no inicio do ano tal também teria sido possível. Poderemos ser levados a concluir que os docentes colocados excediam as necessidades, ou não?

O (aparente) silêncio dos envolvidos perante esta situação é (in)compreensível!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

As Minhas Memórias duma Guerra – Parte I

No longínquo ano de 1969 fui obrigado a deixar o carinho da minha família, esposa e filhos e, o convívio de amigos, para partir para terras africanas, que os nossos avós, diziam-me então nos meus primeiros tempos de escola, nos haviam legado como nossas possessões de legítimo direito.

Só muito mais tarde, quase homem feito, tive o conhecimento total e a consciência plena desta noção de “legítimo direito”, sobre territórios usurpados a maioria das vezes pela força e pelo terror aos seus autóctones e desde então, vulgarmente designados com o maior despudor por colónias portuguesas de África.

Todos nos recordamos, como depois de inúmeras pressões internacionais para que Portugal concedesse a independência a esses territórios, se passassem a designar por províncias ultramarinas. Como se a simples mudança de designação, tudo apagasse na memória dos homens, e os tornasse parte integrante do continente de que eram originários os seus algozes e escravizadores.

Como nos deveria envergonhar a todos o conhecimento universal, que os Portugueses se tornaram desde então nos maiores traficantes de escravos negros do Mundo e tantas vezes a coberto duma Igreja, que se dizia apostada em levar a Fé e o Batismo aos povos gentios.

Parti então rumo à ex-colónia de nome Moçambique, conjuntamente com centenas de jovens portugueses, soldados à força para defender, diziam-nos, a integridade do território português, os interesses coletivos em relação a matérias-primas e outras riquezas, a vida dos milhares de portugueses lá radicados e ou já a dos seus descendentes.

Após uma pungente e dolorosa despedida no cais de Alcântara do porto de Lisboa, lá embarcamos no velho navio “Niassa” com o nosso destino pré-determinado pelos “superiores interesses da Nação”, navio que acabou repleto como um odre por uma ordeira e ingénua juventude.



Depois duma viagem de vinte e um dias, na velocidade pachorrenta do velho navio “Niassa”, entretendo o tempo de todos os modos e tentando enganar as já enormes saudades dos meus familiares, tivemos entretanto uma brevíssima estadia de 12 horas em Luanda, antes de finalmente chegarmos ao nosso destino africano, a pequena, mas bela cidade de Porto Amélia rica duma paisagem e orla marítima deslumbrante.

Texto de João Valdoleiros

sábado, 2 de junho de 2012

Agostinho Sousa Pinto novo presidente do PS/Marco

Entre as 14 e as 20 horas decorreu na sede do PS/Marco a eleição da nova concelhia do Partido Socialista marcoense, nas mais concorridas eleições de sempre, com a participação de 324 (79%) dos 411 militantes socialistas com capacidade eleitoral. A lista A, liderada por Rolando Pimenta, teve 120 votos e a lista B, liderada por Agostinho Sousa Pinto, teve 203 votos. A lista A elege 11 elementos para a nova concelhia, contra 20 da lista B.