sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Gil Scott-Heron - 'Me And The Devil' (Official HD Video)



2010 acaba tendo como um dos principais protagonistas musicais alguém que já andava cá em 74 e escreveu "The Revolution Will Not Be Televised". Numa altura em que o Ipsilon, suplemento cultural do Público, destaca os revolucionários como figuras de proa, tanto política como culturalmente, para 2011, Gil Scott Heron e a sua linguagem e postura universais, pacifistas e profundamente viradas para a mudança, pode ser um desses revolucionários visionários, vindo do gueto para com a sua palavra falada, mexer consciências e alertar contra os tempos conturbados em que vivemos.
Palavra a quem quer mudar mesmo, não a quem quer mudar só as figuras...

Governo nega existência de promoções nas chefias da Segurança Social

O secretário de Estado da Segurança Social diz que foi actualizada a designação dos cargos dirigentes de quatro institutos da Segurança Social e os seus respectivos salários, em reacção à notícia de que "todas as chefias" tinham sido promovidas "para compensar os cortes salariais" previstos em 2011.

"O que fizemos (...) foi preencher um vazio legal que decorria da Lei de Vínculos, Carreiras e Remunerações (...): actualizar a designação dos cargos à luz da nova lei e os índices remuneratórios, reduzindo-os" no "quadro de restrição forte" orçamental, afirmou à Agência Lusa Pedro Marques, vincando que não houve "nenhuma promoção".

O secretário de Estado reagia assim a uma notícia da SIC, segundo a qual "a Segurança Social promoveu todas as chefias para compensar os cortes salariais" em 2011, o que Pedro Marques considerou "abusivo".

A estação televisiva noticiou que o "aumento" salarial dos cargos dirigentes do Instituto de Informática, do Instituto da Segurança Social, do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social e do Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social "tem efeitos retroactivos ao início de 2010".

A SIC cita quatro portarias publicadas ontem, quinta-feira, em Diário da República, sobre as alterações de estatutos dos quatro institutos e a nova equiparação remuneratória dos seus cargos dirigentes.

"O que fizemos foi reduzir os ordenados desses dirigentes. Não há nenhuma promoção de um único dirigente", garantiu Pedro Marques, acrescentando que a anterior legislação não permitia "ter um quadro dirigente normal na Segurança Social".

O secretário de Estado assinalou ainda que "todos os dirigentes só podem ser promovidos por concurso público".

Num esclarecimento enviado à Lusa, o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social assegurou que a remuneração dos dirigentes dos quatro institutos mencionados serão reduzidas no próximo ano, com excepção da do director de direção do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, que terá um aumento anual de 151,41 euros.

Pode ler mais aqui.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Reflexões sobre o lamaçal em que nos colocaram

Num comunicado realizado recentemente, e que pode ser lido aqui, a Comissão Política Concelhia do PSD quis partilhar com a população algumas reflexões sobre a nossa terra.

Situação Financeira do Município.

Para variar o PSD responsabiliza unicamente a “herança” que receberam dos anteriores executivos camarários esquecendo completamente os últimos cincos anos de má gestão onde o despesismo impera. Quando o PSD concorreu em 2005 e 2009 para Câmara Municipal já sabia da situação, mas isso não lhes impediu a realização de um conjunto de promessas irrealistas, isso sim uma autêntica política de mentira e de desrespeito pelos Marcoenses.

Depois qualquer pessoa que perceba minimamente de contas públicas ao analisar os documentos oficiais do Município chegará à conclusão que a situação tem piorado rapidamente ao contrário que seria desejável. De igual modo se sabe que a política de levar tudo, e todos, a tribunal tem contribuído para um aumento galopante em gastos judiciais o que não tem impedido que as sentenças sejam desfavoráveis e os valores a que o Município tem vindo a ser obrigado a pagar sejam cada vez maiores.

Estranho que Rui Cunha não tenha também reflectido sobre as posições do PSD que culminaram com o mau acordo com a Efimóveis sobre o caso do Cine-Teatro.

Processo entre Arnaldo Magalhães e a Câmara Municipal.

O mais interessante é que o PSD deixou cair a acusação de que teria existido uma “fuga de informação judicial” e que tanta polémica provocou na última reunião da Assembleia Municipal. Alguém terá reparado finalmente na data da notificação da sentença.

O PSD não diz uma palavra sobre os actos que levaram a que Câmara Municipal se visse de novo envolvida em mais um processo judicial que já tem uma sentença desfavorável. Esses actos são da única responsabilidade do actual executivo e o seu presidente já referiu que voltaria a repetir os mesmos actos. Em vez disso, e na linha do executivo, prefere discutir quem é que denunciou o protocolo, ou que permitiu que ele fosse denunciado, ou ainda que criou as circunstâncias para que ele fosse denunciado. Irrelevante, eu próprio não dou a esta discussão nenhuma importância, mas o PSD não tendo mais com que distrair os Marcoenses agarra-se a este fait-diver.

Ainda sobre este processo o PSD tenta mais uma vez distorcer os factos e esquecer-se que o tribunal é que tem competência para decidir o valor da indeminização neste caso e o que tem vindo a ser apontado são exclusivamente estimativas para esse valor. Era bom que esse processo não existisse e que não fosse necessário vir a ter que se pagar mais uma indeminização, até porque para as finanças do Município estarmos a falar de 2 ou 3 milhões de euros (a mim chegaram a apontar que poderiam chegar a 4 milhões de euros) é também irrelevante politicamente.

Relevante politicamente é que se está perante mais um acto de má gestão do actual executivo.

Serviços de Abastecimento de Água e de Tratamento de Esgotos.

E aqui estamos perante o maior autismo político de Rui Cunha. Ataca o PS e tenta desresponsabilizar-se desse modo do que é evidente para todos os Marcoenses. A cobertura destes serviços é péssima, a qualidade dos mesmos é contestável, as críticas ao longo destes meses são factuais e mais uma vez este executivo envolveu-se num processo judicial que está a ser desfavorável para o Município.

Prometeram em 2005 soluções rápidas para este problema. Tal como noutras áreas, falaram de obras e mais obras e de dezenas de milhões de euros em investimentos que nunca passaram do papel e que nunca foram sequer orçamentados.

O PSD tem que deixar de “reflectir” e sobretudo deixar de confundir os Marcoenses. Tem de deixar de culpar os outros pela sua ineficácia. Já não estamos nas campanhas eleitorais de 2005 ou de 2009, agora devia ser a altura de estarmos a inaugurar as obras prometidas.

O Marco merece e precisa de um executivo camarário que nos diga a verdade, que trabalhe e que realize obra. Enfim, que "nos retirem a todos deste lamaçal onde nos encontramos".

Que giro

Quem ler o último comunicado do PSD/Marco acha que os homens são oposição... Depois de ser um blog a fazer a agenda política do Marco (primeiro, o MarcoHoje e agora o Marcoense como Nós), o PSD, talvez por falta de competência própria, deixa que seja um partido da oposição.
É o que se chama governar por reacção. Que, como se sabe, é o contrário de acção.
Também é giro que este comunicado apareça, tal como o outdoor da JSD a defender uma estrada para Penafiel e um investimento público contra o qual está o senhor Pedro Passos Coelho, outdoor esse que ninguém viu e de que ninguém fala (quem é amigo?), dizia eu, é giro que estas coisas apareçam em vésperas de Natal e Passagem de Ano, alturas em que ninguém com o mínimo de juízo está para se chatear com estas coisas.
Ninguém que tenha família e essas coisas que estas organizações fascistóides ligadas à cor laranja não reconhecem, porque estão permanentemente a trabalhar, não pelo bem comum, mas pelo mal do PS. Coitados...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Estranheza

Porque é que há pessoas que dizem aos sete ventos, em prosas supostamente espontâneas, contra o espírito "politicamente-correcto", que se deve lutar pelo melhor para a nossa sociedade e, quando estão num orgão político, estão calados que nem ratos?
Quem acharão que deve fazer esta "luta" pelo que está correcto? Pelo avanço da civilização? Não deveriam ser estes hipocritas os primeiros a agir e a levantar a voz onde de direito? Onde fossem ouvidos?
Ah, pois, são hipocritas... Que mania de responder às minhas próprias perguntas...
Lembram-se daquele dirigente desportivo que dizia "...porque nós somos homens sérios!"? Quem é sério não precisa de dizê-lo, são os outros que o reconhecem como tal.

Salário mínimo sobe 20 por cento em Pequim

O salário mínimo em Pequim vai subir cerca de 20 por cento a partir de 1 de Janeiro, para 1160 yuans (133 euros), tornando-se o mais alto da China.

Além de Pequim e Xangai, apenas duas províncias tem salários mínimos acima dos mil yuans (115 euros): Guangdong e Zhejiang, situadas no litoral.

Pode ler-se aqui.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Para reflectir muito bem

António Santana, e bem, sugeriu neste seu post no Marco 2009 que nós reflectíssemos sobre uma recente notícia de um protesto de um Romeno no Parlamento do seu país, como foi noticiado aqui.

Adrian Sobaru, trajando uma t-shirt com a inscrição "vocês têm o pão dos nossos filhos", atirou-se de uma altura de sete metros das galerias para o hemiciclo do parlamento de Bucareste, em protesto contra as medidas de austeridade impostas pelo Governo.

Mas como reacção a este post alguns leitores recordaram que o Primeiro-Ministro Emil Boc é o líder do PDL (Partido Democrata Liberal, partido de centro direita com ideologia radicada no populismos e liberalismo), partido que pertence ao PPE, tal como o PSD.

Também sugeriram a leitura deste artigo que revela um estudo que coloca os seguintes partidos que ideologicamente estavam mais próximos do PSD em Maio de 2009, do mais próximo para o mais afastado: CDS/PP, Partido Nova Era (Polónia), Partido Croata dos Direitos, Partido do Povo (Letónia), União Popular dos Camponeses da Lituânia, União para a Pátria e a República (Estónia), Partido Democrata Liberal (Roménia), União Democrata Croata e MMS.

De acordo com a sua cartilha ideológica o PSD, que se diz reformista e humanista, e que Sá Carneiro queria que fosse social-democrata, republicano e laico, surge colado a forças conservadoras, ou de pendor democrata cristão (como é comum no PPE) ou de pendor nacionalista!

Claro que não estou a criticar António Santana que se afirma claramente como social-democrata, estou a criticar a maioria dos seus militantes de tem escolhido lideranças para o PSD que transformaram, ao longo dos últimos anos, um partido de inspiração social-democrata num partido que roça um populismo nacionalista.

Por sua vez a Internacional Socialista, onde o PS está integrado e na qual Sá Carneiro tentou entrar nos tempos do PPD, integra nas suas hostes partidos oriundos da social-democracia, do trabalhismo e do socialismo democrático.

Explosão social

Li duas notícias no público que me fizeram reflectir. A primeira é sobre a cabine do pórtico para cobrança de portagens na A28 que foi vandalizada na madrugada de sábado, como se pode ler aqui. Aquele pórtico tem sido contestado por servir a maior zona industrial do concelho de Viana do Castelo, sendo muitas as vozes que já exigiram a sua remoção.

A segunda é sobre como os portugueses estão a reagir á crise. Primeiro é a estupefacção e a inacção ditadas pelo medo instaurado por um passado recente sem democracia, depois é a “explosão”, como se pode ler aqui.

É também referido que Portugal não é dos países que “mais se ofendem, pois viveu muito tempo com a mediocridade escondida do salazarismo”, e “não tem tanta percepção de justiça”.

Recordei-me como é que, após anos de os Marcoenses terem apoiado as gestões do PSD primeiro e depois do CDS sem nenhuma contestação popular aos muitos erros de gestão durantes esses mandatos, se revoltaram devido "unicamente" à subida das taxas da água. Foi essa, literalmente, "a gota a mais" que determinou que o CDS tenha perdido a presidência da autarquia para o PSD.

Hoje não se estará a viver um momento de tensão semelhante, no concelho e no país, que de repente e sem um motivo maior vá provocar uma reacção popular “inesperada”?

Os líderes políticos devem ter em atenção a esta característica do nosso povo, enquanto outros vão descarregando lentamente o desânimo não deixando acumular tensões em demasia, os portugueses são pacíficos e muitos tolerantes com os seus governantes mas acumulam tensões que só são libertadas através de verdadeiras explosões sociais.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal

A festa já era celebrada em Roma no ano 336 d.C.. Na parte Oriental do Império Romano, comemorava-se em 7 de Janeiro o seu nascimento em virtude da não-aceitação do Calendário Gregoriano. No século IV, as igrejas ocidentais passaram a adoptar o dia 25 de Dezembro para o Natal e o dia 6 de Janeiro para Epifania (que significa "manifestação"). Nesse dia comemora-se a visita dos Magos.

Segundo alguns estudos, a data de 25 de Dezembro não é a data real do nascimento de Jesus. A Igreja entendeu que devia cristianizar as festividades pagãs que os vários povos celebravam por altura do solstício de Inverno. Portanto, o dia 25 de Dezembro terá sido adoptado para que a data coincidisse com a festividade romana dedicada ao "nascimento do deus sol invencível". No mundo romano, a Saturnália, festividade em honra ao deus Saturno, era comemorada de 17 a 22 de Dezembro; era um período de alegria e troca de presentes. O dia 25 de Dezembro era tido também como o do nascimento do misterioso deus persa Mitra, o Sol da Virtude.

Assim, em vez de proibir as festividades pagãs, forneceu-lhes um novo significado, e uma linguagem cristã. As alusões dos padres da igreja ao simbolismo de Cristo como "o sol de justiça" (Malaquias 4:2) e a "luz do mundo" (João 8:12) revelam a fé da Igreja n'Aquele que é Deus feito homem para nossa salvação.

Por causa de sua origem não-bíblica, no século 17 esta festividade foi proibida na Inglaterra e em algumas colónias americanas. Quem ficasse em casa e não fosse trabalhar no dia de Natal era multado. Mas os velhos costumes logo voltaram, e alguns novos foram acrescentados.

O Natal voltou a ser um grande feriado religioso, e ainda é em muitos países.

A pintura é da autoria de Vicente Gil e denomina-se "A Adoração dos Magos".

Rodrigo Lopes sobre o Lançamento de "Inishmore"

Realizou-se no dia 11 de Dezembro na FNAC Porto a apresentação pública do livro "Inishmore", primeira publicação de Carla Ribeiro Nascida em 1979 em Marco de Canaveses, Carla Ribeiro é Engenheira Ambiental e encontra-se actualmente a trabalhar em Bristol, em Inglaterra. "Inishmore", o seu primeiro livro, chega-nos em 2010.

Inishmore é um lugar particularmente avesso a mudança e a transbordar de orgulho e misticismo gaélico. É também uma de três ilhotas ao largo da baía de Galway, de onde a família Lynch era originária e para onde foram viver Michael, Conceição e o pequeno Maírtín depois de regressados de Paris e perdoados pelo patriarca.
A ilha irlandesa de Inishmore torna-se rapidamente para a família Lynch, num espaço fértil, produtivo e monstruoso, tanto para o amor, como para os negócios, as traições e a tragédia.
Este é um livro que nos leva a vários países e que nos transporta a ambientes diversos, quer sejam o calor do samba brasileiro, o pecado da boémia parisiense ou o misticismo metálico das lendas de Inishmore. É também uma viagem, que mesmo usando imagens do presente evoca o passado com muita força.È um livro com uma história ousada, inteligente, comovente e com uma paisagem emocional rica. É uma narrativa com uma cadência muito própria onde abundam a ironia e o sarcasmo.
No início, o narrador leva-nos ao mundo da ficção e das criaturas míticas de Inishmore.
E depois, à medida que a história avança vai descrevendo a inquietude da família Lynch e em particular, da personagem central - Adriana. O texto torna-se então mais fluido, mais solto eu diria mesmo, mais terreno. Um enredo que é feito de várias camadas que se vão desconstruindo à medida que a cena cresce, dramaticamente, até culminar no desaparecimento de Adriana.
É um livro de personagens complexas e muito bem trabalhadas. A autora faz várias transições entre a interioridade das personagens e as implicações externas das suas acções. Além disso, ao ler este livro é quase impossível não sentirmos o olhar de um narrador sempre presente, a observar todos os intervenientes. Um olhar que muitas vezes é feito de um humor quase cáustico.
Este livro é, parafraseando a autora na descrição de Adriana, “a forma que ela escolheu para nos ensinar a todos quem ela era, desmascarando aquilo que cada um de nós pensava que via nela”.

Inishmore revela uma enorme criatividade e inconformismo e no fim, deixa uma enorme vontade de saber mais!