quarta-feira, 29 de junho de 2011

Repensar e Reflectir

O meu caro amigo João Lima fala num excelente post no Marco2009 da situação da esquerda no nosso concelho. Ao contrário do meu amigo e de muitas opiniões veiculadas também por aqui, não acho que a esquerda ande em crise há 6 ou 10 anos. A esquerda sempre esteve em crise no Marco, porque nunca uma força de esquerda ganhou as eleições autárquicas. Se lermos os resultados das legislativas de 2011, o PS perdeu no Marco como perdeu em todo o lado. Manteve os seus bastiões históricos, ganhou em freguesias surpreendentes e perdeu onde é normal perder, nos bastiões laranja. Vejamos:
O PS ganhou em Banho e Carvalhosa, Toutosa, Constance, St. Isidoro, Sobretamega, Fornos, Soalhães, Paços de Gaiolo, Manhuncelos e Paredes de Viadores. Se das primeiras nada há a dizer, já as três últimas foi uma boa surpresa tê-las mantido, o que, na minha opinião, é reflexo do bom trabalho que tem sido feito, tanto pelos nosso autarcas como pela CPC. Repare-se que estes bons resultados continuam a embater na barreira de Avessadas. A partir daí é um território difícil mas não impossível. O tempo é bom conselheiro nestas questões...
Quanto a uma reflexão conjunta das forças de esquerda, estamos aí. Da minha parte, e o João sabe, estou sempre disponível para falar com todos e penso que esta é uma ideia generalizada no PS. Até o candidato que apoio a líder do meu partido, Francisco Assis, tem tocado no ponto das coligações à esquerda, desta união que se existe à direita quando é para chegar ao Poder, também pode haver para nos fortalecermos e não perdermos tempo em guerrilhas desnecessárias. Não sei é quem são os interlocutores do BE por cá, como podemos chegar a eles, levá-los a sentar e discutir o que nos une. O problema da esquerda tem sido esse, a dispersão. Da nossa parte andamos a fazer o trabalho de procurar esta gente e dar-lhes uma voz comum. Que venham todos.

12 comentários:

  1. Surprendente é a situação do Dr.João Lima, pois deste e de anteriores comentários, tudo leva a crer que já não se encontra ligado à estrutura local do PCP e mais surpreendente ainda, não estará próximo do PCP, no seu todo.
    Pelo seu passado e pela posiçãa actual que ocupa na AM seria bom clarificar esta situação.Os marcoenses merecem esta clarificação.

    Observador

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  2. Concordo numas coisas com o João Lima e outras com o Jaime Teixeira, e quase não discordo com nenhum deles.

    Os resultados das últimas eleições a serem lidas sem o respectivo contexto poderiam parcecer negativos, mas como TODOS deveriam saber foram eleições para a Assembleia da República e não para orgãos locais.

    Senão o que se poderia dizer em 2009 quando em poucos dias existiram diferenças significativas nos votos dos Marcoenses. Afinal em 2009 a CPC do PS Marco, em poucos dias, primeiro fez um bom trabalho e depois um mau trabalho.

    Claro que não. Os resultados tem é que ser lidos correctamente.

    É verdade que qualquer dos partidos de esquerda teria gostado de ganhar as eleições. No caso do PS essa avaliação já foi realizada, nomeadamente nas próprias eleições internas onde AM obteve de novo o apoio dos militantes (É preciso não esquecer isso).

    Agora era importante que a Esquerda (e coloco na esquerda só o PS, PCP e BE) deveria reflectir como tem agido durante décadas para ter permitido que a liderança da autarquia e da maioria das freguesias se mantenha nas mãos de uma direita retrógada.

    A culpa é notoriamente da própria esquerda.

    Talvez nem seja das lideranças locais dos partidos, mas é de certeza de muitos elementos que dizendo-se de esquerda apoiam por interesses particulares os candidatos da direita.

    Mais tarde ou mais cedo esta reflexão terá que ser realizada. Já ouvi e li que exista quem defenda que terá que vir alguém de fora do concelho para unir os militantes e simpatizantes de esquerda para conseguir derrotar esta direita.

    Eu não penso assim. Acredito que não existem soluções fáceis e será necessário muito diálogo e consciência das "asneiras" que se fizeram no passado para se conseguir numas eleições locais a esquerda ganhar no Marco.

    Pois em eleições nacionais a esquerda até tem realizado bons resultados.

    Alternativamente poderá acontecer que a Direita um dia acabe por perder as eleições, mas nesse caso será por sorte que algum candidato de esquerda ganhe as eleições.

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  3. Caro Observador
    não que seja tão importante como isso, mas digo-lhe que me revejo nas politias que o PCP defende, o que não significa que me reveja totalmente com o PCP. Não me revejo em algumas atitudes que contam com o apoio das direcções do PCP.
    Serei sempre fiel à liberdade de pensamento por muito que isso chateie algumas pessoas, mas com essas "posso eu bem"
    Votei no PCP em 05 de Junho por entender que dos principais candidatos Honório Novo e também Jorge Machado foram os que mais se preocuparam com o Marco.

    João Monteiro Lima

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  4. Caro Jorge,
    defendo que a culpa do poder no Marco se manter na direita é também dos responsáveis locais dos partidos de esquerda.
    se no PS em 2008/ 2009 os socialistas marcoenses se opuseram à vontade da distrital, no PCP era muito dificil tal acontecer, mas também não creio que o PCP distrital ou nacional fosse pelo caminho que o PS Porto tentou seguir
    É certo que houve alguns marcoenses de esquerda que apoiaram os candidatos da direita, mas nem sempre os candidatos da esquerda foram os melhores, admito que o PCP e o PS já fizeram más escolhas. Houve também o voto útil.
    Sobre vir alguém de fora lembro o candidato do PS Ismael Cardoso e o seu desastroso mandato (opinião minha)
    Jorge deixo-lhe uma pergunta, Já terá havido alguma vontade de realizar um entendimento de esquerda no Marco? No PS e no PC existem opiniões contrárias ao tal entendimento e acabam por vingar. Opiniões de dirigentes locias e / ou regionais que tornam dificil o entendimento
    Gostaria de ver os marcoenses, socialistas, comunistas e bloquistas, pessoas de esquerda sem partido, unidas em torno de tal entendimento, tal como gostaria de ver os dirigentes locais do PS e do PCP a dizerem aos dirigentes regionais e nacionais o que querem para o Marco, a esquerda unida

    João Monteiro Lima

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  5. Caros amigos

    O nosso amigo João neste seu comentário tocou num ponto que a maioria dos portugueses ainda não percebeu ao fim de mais de 3 décadas de Democracia.

    Podemos ter as nossas ideias, apoiar uma ideologia, um partido e até apoiar um qualquer político, mas isso não implica que deixemos de ter as nossas opiniões que poderão ser discordantes do político ou do partido que apoiamos.

    A isto chama-se ter ideias próprias, ou por outras palavras sermos capazes de colocar a funcionar as nossas células cinzentas.

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  6. Caro João

    Concordo quase na totalidade com este segundo comentário, mas vou mais longe. Gostaria também de incluir nessa lista Marcoenses simpatizantes do PSD, e mesmo do CDS, que fartos de tantos anos de má gestão dos nossos órgãos autárquicos quisessem por um fim a este ciclo e que em conjunto conseguíssemos encontrar uma solução para o nosso concelho.

    Ao nível local as diferenças ideológicas não são assim tão impeditivas de se encontrar boas soluções para a gestão municipal.

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  7. Caro Jorge,
    partilho também essa vontade de incluir simpatizantes do PSD e CDS que estão fartos da forma como o Marco tem sido gerido
    O seu parágrafo final deveria ser repetido até a exaustão a muitos marcoenses, de diferentes partidos

    João Monteiro Lima

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  8. As diferenças "ideológicas" nunca me impediram de ter, não só boas relações pessoais e políticas, como também procurar entendimentos com os líderes do grupo municipal do PS desde que estou na Assembleia (José Carlos Pereira, Virgilio Costa e João Valdoleiros). Por vezes foi também possível alargar esse entendimento ao PSD (Rui Cunha) e ao anterior líder do grupo do CDS (Pedro Costa e Silva)


    João Monteiro Lima

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  9. Jaime,
    penso que no teu texto poderás ainda que involuntariamente estar a levar ao tal condicionamento do tal entendimento. Dizes no final do teu texto que da vossa parte estais a tentar procurar as pessoas e dar-lhes voz e a impedir a dispersão do eleitoral da esquerda.
    Penso que era mais importante agregar diferentes opiniões dentro da esquerda num espaço que não se resumisse a um só partido, fazer como a direita fez agora no governo, ultrapassar naturais opiniões diferentes e juntar as opiniões semelhantes para base de trabalho. Dificilmente verei socialistas a fugir para a área do PCP ou vice-versa. Vejo com mais facilidade o espaço agregador sem os dogmas dos partidos (sim todos os partidos têm os seus dogmas) onde o projecto fosse mais largo do que a esfera partidária, onde o porjecto fosse não a vontade política mas o interesse do concelho.
    Sobre os entendimentos entre PS, PCP e BE no Marco penso que não será impossível. Os líderes locais do PS e PCP, deveriam partir de imediato para esse entendimento.
    O trabalho na AM está facilitado também, dadas as excelentes relações que mantenho com o líder do PS na AM, e não é segredo que trocamos, tal como fiz no passado com outros líderes da bancada do PS, opiniões sobre diversos assuntos. Em alguns estamos de acordo, noutros não, mas no essencial não divergimos e isso é o mais importante.


    João Monteiro Lima

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  10. João,
    Estás a entender mal o que eu disse. O que eu disse é que é preciso procurar os interlocutores do BE no Marco, porque ninguém sabe quem eles são.

    Jaime Filipe Teixeira

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  11. Caros cronistas, pelos comentários que aqui tenho lido, penso que será muito difícil no marco e no País haver uma união à esquerda, não por culpa das pessoas, mas sim as ideologias de cada um não são compatíveis no mesmo espaço, a não ser que o novo PS se transfigure de outra forma, e altere a sua ideologia, mas a minha opinião é que isso não aconteça e votarei contra se um dia os militantes forem ouvidos, não podemos passar de um dos maiores partidos deste País e de um momento para o outro, porque perdemos um combate vamos fazer alianças.

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  12. Caro amigo das 17.36

    Na minha opinião pelos comentários realizados aqui o que se vê é que os militantes ou simpatizantes da esquerda não tem qualquer problema de cooperarem no Marco, tal como noutros locais.

    Depois o próprio PS já teve bons frutos de uma cooperação com outros partidos de esquerda, nomeadamente na Câmara de Lisboa. Não vejo assim o que seja impeditivo na ideologia do PS em que o mesmo ocorra noutros municípios.

    Depois a questão não se coloca porque o PS, ou qualquer outro partido de esquerda, tenha perdido uma eleição no Marco. O que se passa é que nunca conseguiu ganhar nenhuma a nível concelhio.

    As alianças também não tem a ver com ganhar eleições mas muito mais com partilhar objectivos comuns. E não seria um bom objectivo de muitos Marcoenses da Esquerda, e não só, conseguirmos uma solução para a nossa terra.

    Não estamos todos fartos do discurso de sempre de Manuel Moreira de que nada pode fazer por causa da dívida? Não repetiu já tantas vezes que enquanto existir dívida nada pode realizar?

    Então porque deixamos que ele continue lá? Para ele andar a passear com carro, motorista e gasolina paga por Nós?

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